Cotidiano

Rompimento do PSDB com Cunha irrita aliados da oposição

Redação DM

Publicado em 11 de novembro de 2015 às 10:50 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – A decisão do PSDB , Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na noite de terça-feira irritou os outros aliados da oposição. Segundo líderes do bloco oposicionista, havia uma promessa de Cunha dar um posicionamento sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma até esta quinta-feira. Diante disso, a estratégia seria aguentar um pouco mais o desgaste de apoiar o presidente da Casa.

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O anúncio na noite de ontem incomodou os aliados da oposição e também peemedebistas que apoiam Cunha, por entender que, independente de Cunha resolver o impeachment, os tucanos não recuarão a favor dele no Conselho de Ética e o processo terá seguimento nesta etapa inicial. Cunha trabalha para arquivar a representação por quebra de decoro contra ele feita por PSOL e Rede.

O líder do Solidariedade, Arthur Maia (BA), admite o mal-estar com os colegas tucanos, sustentando que as oposições estavam caminhando unidas e que qualquer decisão deveria ter sido anunciada previamente.

— Fui surpreendido na noite de ontem com o rompimento do PSDB com Cunha, sem consulta aos demais partidos de oposição. Também me surpreendi com a posição do PSDB de apoiar a DRU para um governo que está destruindo o Brasil. Estou até com medo de ver, daqui a pouco, o PSDB dizendo que apoia a recriação da CPMF — ironizou Arthur Maia.

A aliados da oposição, na manhã desta quarta-feira, o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), teria dito que a nota mais dura foi divulgada pelo deputado Silvio Torres (PSDB-SP), e que ele apresentaria uma nota mais crítica à defesa que Cunha apresentou à imprensa. O gesto de romper primeiro, segundo aliados, parece “traição” e também uma tentativa de se mostrar mais “puros” que os outros partidosque mantêm o apoio ao presidente da Casa em nome do impeachment.

— Tínhamos que fazer juntos a transição, se fosse o caso. Todos estamos pagando pelo desgaste de manter o apoio em nome de uma causa maior para o país, o impeachment — justificou um dos líderes de oposição.

A avaliação entre aliados de oposição e também do PMDB é que a situação de Cunha se complicou muito com o rompimento anunciado pelo PSDB. Para aliados do presidente, ele terá agora que pensar em salvar seu mandato e dificilmente conseguirá se manter na presidência até 2017, como quer. O problema, explicam os mais próximos a ele, é que Cunha sequer aceita discutir pena alternativa e quer ser absolvido. Outros acham que se o conselho der seguimento ao processo de quebra de decoro contra ele, não tem como Cunha se segurar na presidência da Casa.

A oposição também já começa a discutir alternativas para o sucessor de Cunha entre deputados do PMDB, , que conta com a simpatia do Palácio do Planalto.

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