Coutinho diz que aguarda decisão ‘superior’ para prorrogar prazo do PSI
Redação DM
Publicado em 11 de novembro de 2015 às 09:10 | Atualizado há 11 anosRIO – O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse nesta quarta-feira que vai aguardar a decisão “superior” do Conselho Monetário Nacional (CMN) para adequar o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) a novos prazos.
Pressionado pelo setor automotivo, o governo decidiu reabrir o prazo para novos pedidos de financiamento com recursos do PSI, apesar da oposição do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Por causa do ajuste fiscal, o CMN havia fixado o fim do prazo para pedidos em 30 de outubro e reduzido o orçamento do programa deste ano de R$ 50 bilhões para R$ 19,5 bilhões.
— Estamos aguardando a decisão superior do Conselho Monetário (Nacional). Nos ajustaremos à decisão — disse Coutinho, após participar do South America Semiconductor Strategy Summit 2015, evento sobre semicondutores realizado no Rio.
Perguntado se haveria recursos suficientes para novos empréstimos após o corte de orçamento, respondeu:
— Toda vez que você fixa uma data de término, há uma espécie de corrida. Precisamos depurar o que de fato é sólido dessas consultas.
Durante sua apresentação, Coutinho afirmou que, com a depreciação do real ante o dólar, o setor automotivo e outros segmentos da indústria têm oportunidade, agora, de reorganizar o processo mundial produtivo, trazendo a produção para o Brasil.
— As cadeias no processo automotivo já cogitam mudar de estratégia e reforçar o papel das unidades brasileiras como base de exportação porque a taxa de câmbio as tornou competitiva, pelo menos na região.
Para ele, com o novo patamar de câmbio e o fim do superciclo das commodities, a indústria e os serviços poderão ser beneficiados.
Coutinho voltou a afirmar que o orçamento do BNDES de 2016 ficará abaixo do de 2015 por causa da queda de demanda por novos empréstimos.
Os desembolsos do BNDES mantiveram até outubro o ritmo de queda de cerca de 25% que havia sido apurado até agosto, disse ele. Coutinho afirmou ainda que o nível de consultas de interessados em financiamentos do banco “reduziu-se de maneira muito forte”.
No início do mês passado, o BNDES divulgou que os desembolsos da instituição para financiamentos recuaram 25% no ano até agosto sobre o mesmo período do ano passado, para R$ 85 bilhões.