Economia

Protesto contra demissões na Usiminas tem confronto com a PM

Redação DM

Publicado em 10 de novembro de 2015 às 23:20 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – Manifestantes e policiais militares entraram em confronto durante um protesto em frente à siderúrgica Usiminas, em Cubatão, São Paulo, na manhã desta quarta-feira. Sindicalistas fazem uma manifestação, desde cedo, contra a paralisação na produção de aço e a uma eventual demissão de pelo menos 4 mil colaboradores diretos. Por volta das 11h, houve um ato nas ruas que contou com a presença da prefeita da cidade, Marcia Rosa (PT). Em cima de um carro de som, ela criticou a ação da PM.

Houve confusão quando um grupo de manifestantes tentou impedir a entrada de ônibus que chegavam com funcionários. Eles tentavam convencer os trabalhadores a aderirem ao movimento. A PM usou bomba de gás lacrimogênio, spray de pimenta e até balas de borracha para tentar as cerca de 300 pessoas que se concentram no local. A cavalaria da corporação também entrou em ação. Uma pessoa acabou detida e outra passou mal.

Participaram do ato representantes de cerca de 50 sindicatos. Não houve adesão dos funcionários.

A prefeitura decretou ponto facultativo a partir das 11h para incentivar os moradores a participar da manifestação, segundo informação da rádio CBN, já que a siderúrgica é uma das maiores instaladas na área da cidade, reúne trabalhadores de toda a Baixada Santista e uma das principais fonte de arrecadação. Só no ano passado, a siderúrgica foi responsável pela entrada de mais de R$ 100 milhões nos cofres municipais

Em maio, foram desligados um dos dois autofornos. Em setembro, a empresa suspendeu a produção de chapas grossas usadas na produção de navios e máquinas pesadas. No fim de outubro, veio o anúncio da desativação das áreas do setor produtivo. A previsão é que o processo de encerramento dessas atividades leve de três a quatro meses.

A Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) foi inaugurada em 1963 pelo presidente João Goulart. Em 1993, foi privatizada e passou a ser chamada Usiminas.

A Usiminas declarou que respeita o direito do cidadão de expressar livremente sua opinião. Leia na ítegra da nota divulgada:

“A Justiça do Trabalho garantiu, em decisão proferida ontem, o direito à livre manifestação sindical desde que os sindicalistas manifestantes não impedissem o acesso dos empregados à usina. Em virtude disso, a Usiminas lamenta que o cumprimento desta decisão tenha sido possível apenas depois da intervenção da Polícia Militar, que garantiu a entrada dos empregados e a operação normal da usina. A Usiminas entende a gravidade do momento, mas acredita que a tentativa frustrada de impedir o acesso à usina por parte de sindicalistas em nada contribuirá para a solução dos problemas relacionados à queda progressiva do mercado de aço e dos gargalos de competitividade de nosso país, fatores que estão na base da decisão de se desativar temporariamente as áreas primárias da Usina de Cubatão. Números preliminares do Instituto Aço Brasil indicam queda no consumo aparente de aços planos de 14% neste ano em relação a 2014 e de 22% em relação a 2013”

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