Psicóloga passa a fazer doces em casa para compor renda
Redação DM
Publicado em 8 de novembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anosRIO – A perda do emprego pelo marido, o engenheiro de telecomunicações Fabrício Abreu, de 46 anos, levou a psicóloga Camila Braga Abreu, 40, a transformar o que era um passatempo num ganho extra para recompor a renda da família.
— A empresa onde meu marido trabalhava quebrou no fim de 2013, e ele saiu sem receber nada. Ia ser um Natal apertado. Eu sempre gostei de cozinhar e os amigos me incentivaram a vender o pão recheado que eu servia com uma cervejinha. Troquei a calabresa pelo bacalhau, pedi ajuda a uma amiga para colocar preço e pensei: “Se não vender, dou de presente”. Mas os pedidos foram acima do esperado, e segurei a onda de pequenas compras no mercado naquele mês — conta orgulhosa.
A demanda pela produção caseira prosperou de tal forma que, com o passar dos meses, ela deixou o consultório. Hoje, dedica-se exclusivamente aos bolos, doces e pães que faz para clientes conquistados no boca a boca.
— Também trabalhava no Banco da Providência, mas sempre quis ter mais tempo para o meu filho, como agora. Os ganhos oscilam, mas já obtenho uma renda. É um dinheiro que cobre minhas despesas pessoais, os gastos com o material escolar e com cursos de formação para refinar o meu trabalho — conta.
O marido logo voltou a trabalhar, desta vez no Comperj, mas a crise na Petrobras o deixou sem trabalho. Foi demitido no mês passado.
— A gente abriu mão do carro, e enxuga no que dá. Como somos organizados, conseguimos pagar o plano de saúde e a escola do meu filho. Meu marido está estudando para fazer o concurso público da prefeitura de Niterói. Não dá para ele ficar um ou dois anos fazendo isso, mas dá para segurar a onda por dois meses — explica a confeiteira.
O próximo passo é a formalização. Ela e outros dois amigos da pós-graduação em Confeitaria estudam se unir para trabalhar em feiras. O primeiro teste será em janeiro, num evento local. Ela não teme que a recessão atrapalhe os negócios:
— As pessoas continuam comprando, só que em quantidade menor. Em vez de 40 pirulitos para decorar, pedem 20. Também pedem para pagar no dia em que recebem o salário. Mas isso não flexibilizo muito. O negócio é ter um planejamento estratégico e dar um passo de cada vez.