Defesa Civil vai divulgar lista de desaparecidos neste sábado
Redação DM
Publicado em 7 de novembro de 2015 às 07:10 | Atualizado há 11 anosMARIANA (MG) – O coordenador estadual de Defesa Civil de Minas Gerais, coronel Helbert de Lourdes, afirmou neste sábado que dez assistentes sociais trabalham num recenseamento da população de Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG) atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos e água na quinta-feira. Com isso, segundo ele, uma lista com nomes de desaparecidos deve ser divulgada ate o início da tarde. As equipes de resgate formadas por bombeiros de Belo Horizonte, Itabirito e Ouro Preto, além da Defesa Civil e Exército, continuam em busca de sobrevivente e pessoas que ficaram ilhadas.
— Não há segurança em relação aos números. Trabalhávamos com a informação de que 620 pessoas viviam lá, mas, segundo um líder comunitário, na verdade, eram 553. Com isso, o número de desaparecidos pode ser menor do que pensávamos —disse ao GLOBO.
O coronel Lourdes afirmou que a Defesa Civil aguarda da Samarco, responsável pelas barragens, os nomes dos 13 funcionários da empresa que estão desaparecidos. Eles trabalhavam em uma obra no momento em que ocorreu o acidente. Procurada, a assessoria de imprensa da mineradora informou que ainda não há previsão para que o nomes sejam divulgados, por conta da necessidade de informar parentes antes da publicação da lista.
O coordenador de Defesa Civil acrescentou que j não há moradores atingidos em abrigos. Segundo ele, todos já foram reacomodados em hotéis da cidade.
A lama de rejeitos de minério atingiu cinco distritos de Mariana: Águas Claras, Ponte do Grama, Paracatu, Pedras e Bento Rodrigues, onde fica a barragem que rompeu na tarde de quinta-feira. A cidade de Barra Longa, que fica a 70 quilômetros do local do acidente, também sofre as consequências do alagamento. A lama chegou também à Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, no município de Santa Cruz do Escalvado, a cem quilômetros das barragens.
O Ministério Público abriu inquérito civil para apurar as causas do acidente. O promotor de Justiça e coordenador do Núcleo de Combate a Crimes Ambientais do Ministério Público Estadual, Carlos Eduardo Ferreira Pinto, informou que trabalha com a hipótese de descumprimento de normas de segurança exigidas pelo licenciamento ambiental, especialmente em relação as obras de alteamento da barragem. Haverá uma reunião entre o promotor e técnicos do MP na manhã de sábado, em Belo Horizonte, para definir estratégias da investigação.
Embora regras de emergência em barragens preconizem o uso de sirenes para alertar a população sobre acidentes, a Samarco, empresa responsável pelas barragens de Fundão e Santarém que se romperam na quinta-feira, não possuía o instrumento e informou que optou por telefonar para pessoas da comunidade para avisar da tragédia em marcha. Questionados diversas vezes em entrevista coletiva nesta sexta-feira, os porta-vozes da empresa não souberam nominar os seus interlocutores, dizendo apenas que avisou “líderes comunitários, e nem a mensagem passada.
No entanto, o presidente da associação de moradores de Bento Rodrigues, José do Nascimento Jesus, de 70 anos, que passou a madrugada ilhado e quase morreu, disse ao GLOBO, que não recebeu qualquer informe da empresa para deixar a área:
— Eles não ligaram pra mim não, em nenhum momento. Fui avisado mesmo foi pelo barulho da água. Perdemos tudo, só não perdemos a vida porque Deus olhou — afirmou Jesus.