Brasil

Psoríase sob controle

Redação DM

Publicado em 28 de outubro de 2015 às 23:57 | Atualizado há 11 anos

O Dia Mundial de Combate à Psorísase, celebrado em 29 de outubro, tem como objetivo combater o estigma que envolve a doença e melhorar a qualidade de vida das pessoas, por meio de ações voltadas para comunidade e a mídia, esclarecendo sobre seus sintomas, formas de tratamento e como os pacientes podem conviver com ela. No Brasil, a psoríase afeta seis milhões de pessoas, o equivalente a 3% da população. A boa notícia é que os tratamentos dermatológicos, mais acessíveis e eficazes, garantem a quem traz na pele as marcas da psoríase o aumento da autoestima e melhor qualidade de vida, na medida em que proporcionam o controle total da doença, evitando reincidências.

Partindo do pressuposto de que, até o momento, não há estudos que apontem para a cura da psoríase, a possibilidade de controle já é um grande alívio para quem sofre com os incômodos físicos e psicológicos que ela carrega consigo. Isso porque as lesões avermelhadas e descamativas que se espalham pelo corpo não causam apenas coceira e desconforto – nos casos extremos, chegam a causar dor –, mas costumam afetar o comportamento daqueles que desenvolveram os sintomas. Muitas vezes, envergonhadas pelas manchas que provocam a curiosidade alheia e despertam até mesmo sentimento de rejeição por quem desconhece o problema, algumas pessoas com psoríase acabam evitando o convívio social e se isolam na tentativa de esconder a doença. Não é incomum que pacientes em tratamento contra psoríase recebam indicação de acompanhamento psicológico pelo impacto que a doença causa nessa área.

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele que causa coceiras e pode afetar mucosas, unhas e até articulações. É caracterizada pela presença de lesões avermelhadas, bem delimitadas, descamativas, em qualquer parte do corpo e, em 80% dos casos, acomete pessoas de pele branca. Embora o desenvolvimento da doença esteja relacionado a altos níveis de estresse, o fator genético contribui para seu aparecimento. Em 30% dos casos, a manifestação se dá por tendência genética, especialmente se um dos pais já desenvolveu a psoríase na pele ou articulação. Pessoas com idades entre 16 e 60 anos tem mais propensão a desenvolver a psoríase, embora a doença possa aparecer fora dessa faixa etária.

Geralmente, o diagnóstico definitivo é demorado pois a aparência das placas de psoríase lembram várias dermatoses. O diagnóstico incorreto pode trazer problemas, como o uso de medicamentos que podem até piorar a evolução da psoríase. Há diversos fatores desencadeantes que podem tornar as crises de psoríase mais frequentes e devem ser evitados, como uso de corticoides, especialmente as injeções e comprimidos, pois esses medicamentos podem provocar piora das lesões. Medicamentos para tratamento da depressão como lítio e fluoxetina também devem ser evitados.

Em termos de tratamento, é preciso levar em conta que a psoríase apresenta diversas formas clínicas e, para cada uma delas, terapias específicas podem ser aplicadas. Além disso, a psoríase é classificada conforme a gravidade, o que determinará o tratamento mais correto, de acordo com cada paciente. Nos casos leves, o uso de cremes, pomadas e hidratantes é o suficiente. Já em casos mais extensos, a psoríase pode ser tratada com fototerapia (uma cabine de luz que melhora não só a psoríase, como também o vitiligo) e medicações orais, endovenosas ou subcutâneas, prescritas e acompanhadas por dermatologistas com experiência na área. Neste sentido, buscar o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e (tentar) manter a mente equilibrada são as atitudes mais eficazes no combate à psoríase que, felizmente, já conta com tecnologia avançada ao alcance de todos.

 

(Mayra Ianhez é dermatologista, mestre em Dermatologia pela Unifesp/EPM e doutoranda em Medicina Translacional pela Unifesp/EPM. Atualment, é professora assistente de Dermatologia da Universidade Federal de Goiás e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC-GO)

 

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