Nove décadas de uma história de carne e osso
Redação DM
Publicado em 28 de outubro de 2015 às 00:57 | Atualizado há 11 anosA história tem pernas, tem braços, tem olhos.
A história caminha pausadamente pelas ruas. A história abraça a gente, num aplexo gostoso de se ver, afetuoso, apertado, que deixa marcas indeléveis.
Mais: ela chama a gente ternamente de primos ou primas.
A história tem cérebro, raciocina, reflete sobre os acontecimentos.
Ela também respira, beija, canta, assobia, sorri, chora, sugere, reclama e outras coisas mais.
Porque a história não é senão, reconheçamos serenamente, um punhadinho de homens e mulheres iguais à gente, de carne e osso, mas que ousaram e ousam ir muito além, porque fizeram e fazem o mundo melhor. Homens e mulheres que, quiçá predestinados por Deus, arrancaram e arrancam o mundo da mesmice.
Ainda outro dia, na cidade de Jataí, a gente nem se recorda mais quando foi não, a história, na forma de um senhor de pouco mais de 80 anos, desceu do Monte Hélicon e veio banhar com a gente nas águas quentes do Thermas Park Jatahy. Era uma tarde agradável. O horizonte prestes a se enrubescer pras bandas do oeste.
Os quero-quero de lá, da cidade abelha, até continham mais seu ruidoso alarido, ante a iminência de se recolherem entre os mais altos galhos da peroba-rosa. Lembramo-nos de recitar uns versinhos:
Quero-quero vai voando
e os esporões vai batendo.
Quero-quero quando grita
alguma coisa está vendo.
Aí, a história, encarnada naquele cidadão jataiense, filho da terra, todo ele sorridente, simpático demais, torcedor apaixonado do glorioso Vila Nova, veio, repetimos, banhar com a gente nas águas benfazejas de lá, prosear com a gente alí, contar causos do tempo do onça. Aproveitou ele, a nossa história aqui, pra contar, enquanto se banhava, enquanto se deliciava alí, passagens heroicas de JK, o Nonô, presidente e estadista, menino pobre de Diamantina e sua predestinação rumo ao Brasil maior, ao Brasil do futuro, ao Grande Brasil de Brasília.
Nem se esqueceu de narrar ele, que encarna visceralmente a história, aquele “baita” susto de Nonô Presidente, aquele augusto instante, na década de 1950, quando… quando… ouvia JK prometer cumprir integralmente os termos da Constituição vigente.
O jovem ouvinte se lembrou então do artigo 4º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias: “A Capital da União será transferida para o planalto central do País.” O resto todo mundo já sabe.
A nossa história enfim tem nome e faz anos agora: Antônio Soares Neto ou Toniquinho JK.
(Pedro Nolasco de Araujo, mestre pela PUC-Goiás em Gestão do Patrimônio Cultural, advogado, membro da Associação Goiana de Imprensa – AGI)