Cotidiano

Governistas avaliam como ‘satisfatória’ manutenção dos vetos de Dilma

Redação DM

Publicado em 18 de novembro de 2015 às 03:20 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – Uma vitória apertada, mas vista como “satisfatória” por parlamentares da base do governo. Assim foi a avaliação do placar da votação da noite desta terça-feira, que manteve, por uma diferença de apenas seis votos, o veto ao reajuste de servidores do Judiciário.

Aliados entendem que, além dos 132 votos de deputados pela manutenção do veto, as 11 abstenções foram combinadas e cruciais para garantir a vitória do governo.

— Sem as abstenções, o governo estava lascado — avaliou um parlamentar.

Apesar disso, as traições, que vieram de todos os partidos da base, inclusive do próprio PT, irritaram lideranças do governo. O senador Jorge Viana (PT-AC) disse que os partidos aliados, que ganharam cargos na última reforma feita pelo governo, fizeram “propaganda enganosa”:

— Os ministros vão ter de se se explicar rapidamente, senão vão ter de responder ao Procon. É propaganda enganosa. Prometeram algo e não entregaram. Piora-se o governo dando cargos e não se consegue ter uma correspondência de apoio. Ou faz-se algo agora ou alguns que se expuseram não vão se expor mais — criticou o petista.

O PMDB foi o partido mais beneficiado na reforma do segundo escalão, ganhando dois ministérios. Entre os 52 peemedebistas que votaram a apreciação do primeiro veto, 26 defenderam a derrubada e três se abstiveram.

O deputado Manoel Júnior (PMDB-PB) rebateu as críticas de petistas e ironizou a cobrança do governo:

— São críticas infundadas, o PMDB vem garantindo a base de sustentação do governo. Se o partido tivesse ido embora,o governo não ganhava nem uma vírgula. Acho que o PT está reclamando de barriga cheia. Ou o governo está se achando tão forte para ganhar votações de forma a não passar por um aperto numa matéria como essa? — ironizou o peemedebista.

O PDT, que ganhou o Ministério das Comunicações, ocupado pelo ex-líder na Câmara, André Figueiredo, foi uma das legendas mais infiéis ao governo. De 11 parlamentares da bancada que votaram, oito apoiaram a derrubada do veto e um se absteve.

Líder do partido na Casa, e que também votou contra o governo, Afonso Mota disse que, num momento delicado para o governo, “tudo conta”:

— Foi uma votação apertada, mas tem que se considerar que houve uma retirada programada de vários parlamentares do plenário. Com as abstenções e votos a favor, o nosso placar foi de 11 a 8. Consideramos um resultado satisfatório. Nesse momento de tensionamento, tudo conta.

O deputado Maurício Quintella (PR-AL), líder do bloco PR, PSD e PROS, vê na vitória suada do governo um plenário dividido e com pouca margem de manobra para aprovar matérias polêmicas de interesse do governo, como a recriação da CPMF, ou o impeachment de Dilma, no caso da oposição:

— Hoje se tem um plenário dividido. O governo viu que não tem voto para aprovar uma medida como a CPMF, por exemplo, e a oposição viu que não tem força para aprovar o impeachment.

Proporcionalmente, o maior índice de traição foi do PRB, com metade da bancada votando pela derrubada do veto. O partido comanda o Ministério do Esporte. Dos 20 deputados da legenda, 11 votaram contra o veto e oito não compareceram na votação. No PCdoB, dos 12 votantes, dois votaram contra o governo, entre eles o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva (SP). No PP, dos 29, 17 foram contra; no PR, dos 25, apenas sete votaram contra; no PTB, dos 17, dez votaram contra o governo; no PROS, dos nove, quatro votaram contra o governo. No PSD do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, 19 votaram, sendo 11 contra o governo, incluindo o líder do partido na Câmara, Rogério Rosso (DF).

Ainda que tenha vencido com infidelidades da base, aliados do governo avaliavam, antes da apreciação dos demais vetos nesta quarta-feira, que a vitória do governo deu um fôlego para que os demais vetos sejam mantidos. Na primeira votação desta quarta-feira, que manteve o veto à extensão do reajuste do salário-mínimo a todos os beneficiários do INSS, o PMDB foi mais fiel, mas ainda com traições. Dos 48 que registraram voto, 16 ficaram contra o governo, além de três abstenções. No PT, dos 56 votantes, seis votaram contra. No PCdoB, desta vez, todos votaram com o governo, mostrando fidelidade: os 12 votaram pela manutenção do veto.

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