Saint-Denis: terroristas estavam escondidos perto de local dos atentados
Redação DM
Publicado em 18 de novembro de 2015 às 01:00 | Atualizado há 11 anosPARIS – Saint-Denis, a terceira maior cidade da região Île-de-France, acordou em clima de guerra. Dois mortos – entre eles, uma mulher que se explodiu – sete presos (dois deles feridos), cinco policiais com ferimentos leves, e um cão de policial morto compõem o balanço provisório de um grande cerco policial aos suspeitos dos atentados terroristas de Paris, que mataram 129 pessoas, na sexta-feira. Para a surpresa de muitos, que imaginavam uma fuga para fora da França, os suspeitos do maior atentado da História da França estavam escondidos praticamente ao lado de um de seus alvos – o estádio de futebol Stade de France.
Eram 4h20 neste bairro da periferia de Paris, quando moradores foram surpreendidos pelo barulho incessante de tiros e gritos dos policiais e depois, explosões. Os policiais estavam à caça do grande autor presumível dos atentados, Abdelhamid Abaaoud, que estaria enfurnado num apartamento na rue du Corbillon, a poucos passos da basílica de Saint-Denis. Não se sabe ainda se ele está entre os mortos ou os suspeitos presos ou feridos.
Gennebu Sylla, 55 anos, de Mali, que trabalha fazendo limpeza nos quartos de um dos grandes hospitais de Paris, onde estão os feridos dos atentados, acordou às 4h para trabalhar. Ela saía de casa, na rua ao lado de onde estavam os terroristas, quando um vizinho do quarto andar gritou: “Não saia!”. Começou o tiroteio:
— Ouvi tudo, foi horrível. Trabalho no hospital onde muitos dos feridos dos atentados estão. Há muitos em estado muito ruim. Eu chorei só de ver — contou Gennebu.
O prefeito-adjunto de Saint-Denis, Slimane Rabahallah, encarregado da segurança da cidade, também acordou com o tiroteio. Pegou sua moto e partiu na direção do barulho. Foi parado pelas forças especiais franceses e teve que se refugiar a 50 metros do local.
— Foram de 20 a 25 minutos de tiros e explosões ininterruptos — relatou ao Globo.
Segundo o jornal “Le Monde”, em um primeiro momento os policiais interpelaram três homens que estavam em um apartamento na Rue de Corbillon. Uma mulher acionou seu cinto explosivo e se fez explodir. Ela seria prima de Abaaoud, suspeito de ser o cabeça dos atentados. Não se sabe ainda se Abaaoud está entre os presos. Um segundo terrorista foi morto, de acordo com o jornal francês, por tiros e granadas. Quatro outras pessoas foram interceptadas, duas delas estavam tentando se esconder. Um era a pessoa que abrigou os terroristas no apartamento.
Todo o comércio de Saint-Denis foi fechado. Policiais, ambulâncias e homens armados do Exército tomaram todo um quarteirão. Um deputado de Saint-Denis fazia um apelo nas rádios para que a população não saísse de casa, para deixar os policiais trabalharem.
— Durou mais de meia hora, foram milhares de tiros , explosões — contou o deputado Mathieu Hanotin, horas antes do final da operação. Nas rádios, ele apelava para que a população não saísse de casa.
Por volta das 6h30, muitos escutaram a grande explosão. Era supostamente o barulho da mulher-bomba no apartamento. O barulho foi tal que há dois quilômetros dali, na cidade vizinha de Aubervilliers, o jovem Sébastian Legrand, desempregado, escutou e foi para o local ver o que estava acontecendo:
— Eu pensei logo que era isso, que eram os terroristas. Vim para cá porque queria saber mais. Não é uma surpresa para mim. Todo mundo procurava por eles longe, e eles estavam aqui, bem ao lado — comentou.
Tudo aconteceu quase na esquina da Rue de La Republique – principal rua de Saint-Denis. Esta periferia de Paris, de 110 mil habitantes, quase ao lado do estádio de futebol onde ocorreu um dos ataques terroristas, é o retrato das periferias pobres da França. Popular, com mais de 100 nacionalidades, muitos imigrantes, sobretudo argelinos, Saint-Denis tem problemas de delinquência e desemprego. Segundo o prefeito-adjunto de Saint-Denis, Slimane Rabahallah, um a cada dois jovens está desempregado.
— Aqui, o Estado está renovando apartamentos sociais, refazendo fachadas, mas as pessoas que moram dentro continuam em situação precária. Se você não tem emprego, o que vai fazer durante todo o seu dia? — perguntou.