Justiça de SP marca audiência para discutir ocupação de escolas
Redação DM
Publicado em 18 de novembro de 2015 às 00:55 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO – A Justiça de São Paulo marcou para a tarde desta quinta-feira uma audiência de conciliação para discutir a ocupação de escolas estaduais. Desde segunda-feira passada, estudantes e movimentos sociais estão acampados nos colégios para protestar contra um projeto de reorganização da rede estadual proposto pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) e que prevê o fechamento de 93 unidades. Embora a Secretaria de Educação diga que há mobilização em cerca de 30 escolas, os movimentos já contabilizam 54 ocupações.
Até que termine a audiência, a gestão Alckmin não pode cumprir nenhuma reintegração de posse, segundo o Ministério Público (MP). Os promotores dizem que uma decisão dada pelo juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi, da 5ª Vara da Fazenda Pública, na sexta-feira vale para todas as ocupações, embora, naquele caso, estivesse sendo julgado apenas o pedido do governo paulista para desocupar a Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, Zona Oeste, onde os alunos estão acampados desde o dia 10.
Nesta terça-feira, o secretário de Educação, Herman Voorwald disse que a secretaria pretende pedir em que há alunos acampados. Também na terça, Voorwald citou a E.E. Diadema como um exemplo bem-sucedido de negociação. Segundo ele, em uma audiência na Justiça os estudantes haviam se comprometido a sair da escola até as 14h desta quarta-feira caso a secretaria aceitasse uma pauta de reivindicações preparada por eles. Os estudantes disseram, no entanto, que não vão mais sair do colégio.
Os alunos alegam que foram enganados pelo governo do estado. Eles dizem que não houve diálogo na reunião citada pelo secretário. Em nota enviada à imprensa dizem que “o que ocorreu foi um juiz decidido a não ceder desde o começo da reunião, deixando sempre claro que não havia conversa e queriam ser absolutos na decisão”. Os alunos afirmam que só sairão da escola depois que o governo receber as reivindicações. Ainda segundo eles, a diretora da escola chegou a pular o muro na manhã desta quarta-feira para conversar com eles.
Na decisão de sexta-feira, o juiz Bedendi disse que as ocupações “revestem-se de caráter eminentemente protestante”. Ao se posicionar contra as reintegrações de posse escreveu que “a solução da questão foge, e muito, da simples tutela possessória. A questão é mais ampla e profunda, a merecer melhor atenção do Executivo”.