Temer diz que rompimento com PT só será discutido para próxima eleição
Redação DM
Publicado em 17 de novembro de 2015 às 10:45 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – O vice-presidente Michel Temer afirmou nesta terça-feira considerar “natural” que peemedebistas queiram deixar o governo Dilma Rousseff, mas que isso só será discutido nas próximas eleições presidenciais, em 2018.
— Isso vai ser discutido só em 2017, 2018. Só em 2018 mesmo. Isso (pressão de peemedebistas pelo rompimento) é natural. Temos que colaborar com o país, mesmo com as pessoas que querem sair do governo, mesmo elas, querem colaborar com o país — afirmou ao chegar ao congresso do PMDB organizado pela Fundação Ulysses Guimarães.
Temer chegou acompanhado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que fez questão de ficar sempre próximo do vice.
Ao entrar no salão onde ocorre o evento, em um hotel de Brasília, o vice foi saudado pela claque de “Brasil para frente, Temer presidente”. Ao passar pelos jornalistas, minimizou:
— Não, não, só em 2018, só em 2018.
Logo em seguida, ao passar pelos correligionários, Cunha recebeu poucos aplausos e chegou a ser vaiado por alguns presentes que gritaram “Fora Cunha”.
Perguntado se participa do congresso para pedir apoio ao partido, o presidente da Câmara respondeu:
— Não vim pedir apoio porque não preciso disso. Vim porque sou do PMDB.
Novamente, ao começar a discursar, Cunha recebeu algumas vaias. Ele baixou o tom mantido nos últimos meses a favor do rompimento com Dilma.
— Está sendo dado hoje um grande passo. Talvez, não o passo que muitos queriam, de um debate mais formal (sobre o rompimento). Mas há de se convir que um grande passo está sendo dado. Ninguém tem mais dúvida que o PMDB terá que buscar seu caminho próprio. Inevitável que tenha candidato em 2018. Essa voz não pode ser calada por quem tem meia dúzia de carguinhos — discursou Cunha.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), minimizou pedido de rompimento com o governo Dilma feito por correligionários nas discussões da manhã.
— O fundamental é o PMDB defender uma linha programática, discutir o partido que foi criado para defender valores democráticos e tem nesse programa a oportunidade para renascer. Mesmo que não haja convergência, o partido está fazendo sua parte para apontar caminhos de saída para essa crise que tende a se agravar — afirmou.
Com a presença de centenas de peemedebistas, o mote do encontro foi “O PMDB tem voz. E não tem dono”.
Pela manhã, antes da chegada da cúpula do partido ao congresso, peemedebistas se revezaram no microfone com críticas à política econômica do governo.
O ex-deputado Geddel Vieira Lima (BA) discursou que a população não aguenta mais a falta de governança e que o compromisso do PMDB não é com o PT, mas com o país.
— O PMDB sempre será maior do que meia pataca de ministérios, do que meia pataca de cargos públicos. Nosso compromisso não é com o governo do PT, mas com o país — afirmou.
CRÍTICAS A TEMER
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) fez críticas ao programa elaborado por Temer e pelo presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, com medidas econômicas para conter a crise, distribuído no começo do mês aos peemedebistas. Disse que o conteúdo é neoliberal.
A despeito das críticas e da preocupação do Planalto com o tom do evento, Moreira afirmou que o PMDB busca colaborar com ideias e com a reunificação do país, dividido e conflagrado politicamente.
Quatro ministros do partido compareceram ao congresso: Eliseu Padilha (Aviação Civil); Helder Barbalho (Portos), Marcelo Castro (Saúde) e Henrique Alves (Turismo). Alguns ministros peemedebistas resistiam a participar do evento temendo atritos com a presidente Dilma Rousseff. Não compareceram os ministros Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura), e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia).
Filiado durante o congresso ao PMDB, o senador Blairo Maggi (MT), que deixou o PR, disse que resgatou um sonho da juventude, ao lembrar que foi militante do antigo MDB.
— Quero complementar a frase do Moreira que disse que o PMDB tem voz e não tem dono. O PMDB não tem dono, mas tem obrigação de levantar a voz neste momento — disse o senador.