Polícia suspeita de segundo jihadista foragido ligado a ataques
Redação DM
Publicado em 17 de novembro de 2015 às 09:35 | Atualizado há 11 anosPARIS — Amparada pelo estado de emergência imposto depois dos ataques em Paris, a polícia francesa conduziu mais 128 operações durante a madrugada de terça-feira por todo o país sem mandados judiciais, e dez pessoas foram detidas, informou o ministro do Interior Bernard Cazeneuve. No dia anterior, o governo anunciou 168 ações policiais, com 23 detenções e 31 armas confiscadas, mas sem vínculo direto com os atentados de sexta-feira, que deixaram 132 mortos e mais de 350 feridos. Enquanto as investigações sobre o caso avançam, nesta terça-feira os agentes localizaram um carro supostamente alugado por um dos terroristas, o procurado Salah Abdeslam, e dois quartos de hotéis que podem ter sido usados por ele e outros agressores. Além disso, há a suspeita de que há um segundo fugitivo ligado ao massacre, informou o “Le Monde”.
— Um Clio preto, encontrado na Praça Albert Khan no 18º de Paris, poderia ter servido à preparação dos atentados — disse uma das fontes policiais à agência. — Esse carro foi percebido na autoestrada A1 e poderia ter feito parte de operações preliminares entre Paris e Bélgica.
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Depois de concluir que não havia explosivos dentro do veículo, a polícia o retirou do local. Segundo o jornal “Liberatión”, o carro de placa belga foi alugado pelo francês Salah Abdeslam, para quem foi emitido um mandado de captura internacional no domingo. Ele é irmão de um dos suicidas nos ataques, Ibrahin Abdeslam.
Salah também teria reservado dois quartos em um hotel no Sudeste de Paris, entre os dias 11 e 17 de novembro. Um vídeo do jornal “Le Point”, foram encontrados no local caixas de pizzas, chocolates e seringas usados pelos terroristas, que chegaram dois dias antes do ataque. A polícia investiga se as agulhas foram usadas para elaborar os explosivos ou se eram injeções hipodérmicas. Contactado pelo “Guardian”, o dono do hotel negou que os homem estiveram lá.
OPERAÇÕES NA BÉLGICA E ALEMANHA
Junto à França, a Bélgica também vive um momento de muita tensão, com novas operações policiais realizadas no país nesta terça-feira. Até agora, sete pessoas supostamente ligados aos atentados foram detidas no território belga, mas cinco já foram libertadas. Os dois que seguem presos, Hamza Attou y Mohamed Amri, teriam se deslocado para o distrito de Molenbeek, no subúrbio de Bruxelas, onde esperavam Salah.
Na Alemanha, a polícia prendeu duas mulheres e um homem na cidade de Aachen – perto da fronteira entre Bélgica e Holanda – que também teriam ligações com as ações terroristas em Paris. Os agentes não divulgaram mais informações sobre os detidos.
BUSCA POR ENVOLVIDOS
Depois de identificar cinco dos autores dos ataques, o governo francês divulgou hoje que não sabe número de pessoas envolvidas. À rádio France Inter, o primeiro-ministro Manuel Valls disse que os agentes ainda investigam se os terroristas agiram com cúmplices.
— Há talvez, na França ou na Bélgica, cúmplices dos indivíduos associados a esta matança — disse Valls. — Há duas ou três equipes? Como operaram? O que aconteceu exatamente no Stade de France? A investigação avança, mas com a discrição necessária.
Na mesma entrevista, Valls anunciou que François Hollande viajará na próxima semana a Washington e Moscou para discutir com os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin a formação de uma coalizão contra o grupo Estado Islâmico (EI) na Síria.
DETECTORES EM ESTAÇÕES
Em mais uma medida para se proteger de ameaças terroristas, a ministra francesa dos Transportes, Segolene Royal, pediu à companhia ferroviária nacional (SNCF) que instale detectores de metais em todas as estações de trem, em um esquema parecido nos embarques de aviões.
— Já fazemos isso para os trens internacionais e acredito que este controle também deve ocorrer nos trens na França — afirmou ela.
Na segunda-feira, Hollande anunciou que vai criar mais 5 mil postos de trabalho nas forças de segurança; ampliar as equipes de segurança nas prisões em até 2,5 mil funcionários; fortalecer a unidade antiterrorismo do país e evitar cortes nos gastos com segurança antes de 2019. Ele também afirmou que vai pedir ao Parlamento para estender o estado de emergência por três meses.