Cotidiano

Após ataques em Paris, muçulmanos dizem se sentir seguros no Brasil

Redação DM

Publicado em 17 de novembro de 2015 às 06:08 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO — “Não acreditamos que o que houve na França se repita aqui. Por isso, até agora moro no Brasil”. A frase foi disparada nesta segunda-feira com firmeza por uma síria de 27 anos, há dois no Brasil, mas repetida por outros muçulmanos que escolheram o país para viver. Ela prefere manter a identidade sob sigilo, já que a mãe ainda mora na terra natal. Nem por isso, deixa de manter as tradições religiosas, como o uso do véu.

Diante da Mesquita Brasil, a maior instituição islâmica do país, em São Paulo, ela afirma que, apesar das ações terroristas do Estado Islâmico, como as que aconteceram em Paris, na última sexta-feira, a sua rotina não mudou.

— O Brasil é um país muito acolhedor. Quando cheguei, senti que me olhavam diferente, mas não com preconceito, e sim por curiosidade. Estamos muito tristes, com certeza, mas por estarmos aqui, não sofremos esse tipo de coisa — diz ela, que trabalha como secretária.

Há 12 anos vivendo no Brasil, o palestino Muor Ali, de 36 anos, diz que consegue contar as vezes em que sentiu algum olhar mais duro em sua direção. Presenciou fatos como uma pichação no muro da Mesquita, no bairro do Cambuci, em janeiro último, quando o jornal francês “Charlie Hebdo” foi atacado, mas aponta o fato como “algo bobo, inatingível”.

— O triste é que todo mundo acha que muçulmano é terrorista, mas ao menos aqui me sinto 100% seguro. Minha família também fica tranquila de lá da Palestina, porque sempre mando mensagens dizendo que estou bem. Não vou mudar minha rotina por causa disso — avisa ele, que trabalha como autônomo. .

Há quase um ano convertida ao islamismo, a cearense Veruska Mesquita, de 32 anos, diz que até repensou a vontade de seguir a religião. De família católica protestante, afirmou que veio para São Paulo “para ficar mais perto da Mesquita”. Ela acrescentou que, até agora, a paz reinou a sua volta, diferente dos amigos que moram na Europa.

— Eles decidiram que ficarão em casa por um tempo, com medo de mais ataques. Fico triste porque associam tudo à religião, e a gente fica só se defendendo. Mas graças a Deus a gente não vê demonstrações de ódio aqui — frisa ela, que tem amigos na França. — E mesmo se houvesse uma retaliação por aqui, os muçulmanos não vão se esconder. Temos um orgulho muito grande do que somos — pontua a assistente de marketing.

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