As histórias depois da barbárie em Paris
Redação DM
Publicado em 17 de novembro de 2015 às 06:06 | Atualizado há 11 anosMinuto de silêncio
No terceiro dia de luto na França, pessoas de várias partes do mundo se uniram ontem em homenagem às vítimas dos atentados, fazendo um minuto de silêncio ao meio-dia (hora de Paris) — momento marcado pelo governo. O presidente François Hollande acompanhou o gesto na Universidade de Sorbonne, em memória ao grande número de jovens mortos. O mesmo foi
feito pelos líderes do G-20, reunidos na Turquia. O ato também foi observado em vários pontos da capital francesa, incluindo a Torre Eiffel e as proximidades dos locais dos ataques. Em meio a flores e velas, milhares se concentraram na Praça da República. A cena foi vista ainda num estádio no Reino Unido, na sede da Uefa, na Suíça, e na Bolsa de Valores de Nova York.
Contra-ataque cibernético
Com a hashtag #OpParis, o grupo hacker Anonymous declarou uma guerra cibernética contra o Estado Islâmico (EI). Em vídeo, um porta-voz usando a máscara de Guy Fawkes — símbolo do grupo — disse que membros de todo o mundo vão “caçar” os terroristas virtualmente. “Esperem por ataques cibernéticos maciços. A guerra está declarada”, diz a gravação. Uma
página criada para a #OpParis reúne listas de contas em redes sociais e sites que fazem propaganda do grupo terrorista. Os hackers também fornecem ferramentas para que qualquer interessado possa se unir aos esforços de calar vozes favoráveis ao EI na internet. No balanço mais recente, os ativistas afirmam que 3.824 perfis no Twitter já foram derrubados.
Engano sobre morte
Foi um baita susto. Alberto Pardo abriu o Facebook e leu a notícia de sua própria morte nos ataques a Paris. Havia um monte de mensagens no seu mural: “Sempre nos lembraremos de você”, diziam algumas. O espanhol, de 33 anos, estava na lista das autoridades francesas como um dos mortos dos atentados, e durante várias horas a imprensa espanhola noticiou a morte dele. Pardo mora em Estrasburgo e estava com o celular desligado. Segundo os agentes que foram dar a notícia à mãe dele, o espanhol estava entre as vítimas do Bataclan. Mas Pardo usou o próprio Facebook para desfazer o engano: “Sei lá… Eu vejo a mim mesmo nestes momentos e diria que estou vivo…”, brincou.
Explicando às crianças
O que aconteceu em Paris na sexta-feira? Por que os terroristas atacaram a capital francesa? Quais serão os impactos? Para responder às perguntas das crianças sobre os atentados, o “Le P’tit Libé” — versão do jornal francês “Libération” para os pequenos leitores — lançou uma edição especial destinada ao público de 7 a 12 anos. A publicação pede que as crianças não hesitem em procurar os pais para melhor compreensão da história. “Homens muito violentos, terroristas, se organizaram para atacar Paris, capital da França. Eles cometeram o que é chamado de atentados. Para impor a sua visão do mundo, eles são violentos e ferem as pessoas, e esperam assustar todo mundo”, diz o texto introdutório.
Luto sim, ódio não
Em carta aberta, o jornalista Antoine Leiris, da rádio France Bleu, que perdeu a mulher no Bataclan, enfatiza aos jihadistas que não vai odiá-los: “Vocês roubaram a vida de um ser excepcional, o amor da minha vida, a mãe do meu filho, mas não terão o meu ódio. Eu não sei quem vocês são, e não quero saber. Vocês são almas mortas”, postou Leiris em seu perfil no
Facebook. E acrescentou: “Claro que estou arrasado pela dor, e vou lhes conceder esta pequena vitória, mas ela terá curta duração. Eu sei que minha mulher vai nos acompanhar todos os dias e nós vamos estar neste paraíso de almas livres que vocês nunca vão acessar. Nós somos dois, meu filho e eu, mas somos mais fortes do que todos os exércitos do mundo.”