Brasil

E a Cidade Luz escureceu

Redação DM

Publicado em 17 de novembro de 2015 às 00:34 | Atualizado há 11 anos

No Père Lachaise estão enterrados Jim Morrison, Marcel Proust, Oscar Wilde, Balzac e outros gênios. Eles foram alguns dos mestres das artes, que buscaram refúgio na cidade luz.  Na última sexta-feira, 14, terroristas causaram medo na população parisiense. 120 pessoas foram mortas, em ataque terrorista. Um brasileiro que assistia França x Alemanha, no State de France, disse que não se preocupou quando ouviu o barulho dos jogões. Givanildo de Lima, acostumado com os estouros causados pela torcida do Flamengo, afirmou que não se assustou quando escutou o barulho. Mas ao perceber que milhares de pessoas corriam em sua direção, resolveu se esconder no banheiro feminino.

“Quando o jogo acabou, minha filha e esposa foram ao banheiro, fiquei esperando próximo a uma pilastra. Foi quando começou uma correria enorme em minha direção e tive, que, juntamente com os outros maridos, pais e guardas, entrar no banheiro feminino para não ser arrastado”, descreveu, ao jornal O Globo. Givanildo viaja com a família pela Europa. “Temos passagens para Bélgica na segunda, mas não sabemos se iremos ou não. A principio ficaríamos até dia 30”, falou.

Paris – a cidade luz – foi goleada. Berço das ideias iluministas – que iluminaram o mundo no final do século XVIII –, ela sente seu coração doer. Os terroristas atacaram as ruas próximas ao Saint-Martin – eternizado no filme Amélie Poulain. Em depoimento à Folha de São Paulo, Mathias Alencastro contou que a região escolhida pelos terroristas é propicia. “Suas ruas sombrias e íngremes levam a esquinas onde se agregam jovens nas portas de bares e galerias”, escreveu. Matheus, no texto, ainda lembrou que próximo ao local do atentado foram articuladas sabotagens contra o Nazismo. “Nas artérias da Bastilha, palco da Revolução Francesa, foram erguidas barricadas durante a Comuna e deflagrados atos de sabotagem contra a ocupação nazista”, disse.

O meia Lassana Diarra disputava a partida quando houve a explosão. Ele perdeu uma prima, no ataque. Para Diarra, é importante se unir neste momento delicado. “Neste clima de terror, é importante para nós que defendemos nosso país mostrarmos que estamos unidos contra o terror, sem cor nem religião. Fiquemos juntos pela paz, o respeito e o amor”, escreveu o meia. O presidente da Federação Francesa de Futebol, Noel Le Graët, optou por esperar o fim do jogo para informar aos jogadores a gravidade da situação de seus familiares.

Cartunistas pelo mundo expressaram suas condolências à população francesa. O cartunista de histórias em quadrinho, Joann Sfar mostrou sua revolta com treze ilustrações postadas em sua conta no Instagram. “Os que morreram esta noite estavam na rua para viver, beber, cantar. Não sabiam que lhes tinha declarado a guerra”, disse em uma das ilustrações. Sfar afirmou que os mortos ressaltaram a beleza do estilo de vida francês. “Em vez de dividir-nos, fizeram-nos lembrar a beleza da nossa forma de vida”, afirmou.

Em janeiro, terroristas invadiram a redação do jornal satírico Charlie Hebdo. Na ocasião, todos os presentes morrem. Entre os mortos, estava o cartunista Wolanski – famoso pelas charges libertárias e pela atuação política em Maio de 68. A publicação, considerada de esquerda, já havia sida atacada por extremista. O Charlie Hedbo fora processado por entidades islâmicas, em 2006, por conta da charge sobre Maomé. Charb, editor-chefe,  foi incluído em uma lista das pessoas mais procuradas pela Al-Quaeda.  “Prefiro morrer a viver sem liberdade” disse Charb.

Jim Morrison andava bêbado pelas ruas de Paris, atrás da poesia. Satre filosofava nos bares parisienses. Henry Miller buscou refugio por lá. Hemingway deu vida a grandes obras da literatura. O surrealismo despontou, também, nas terras da cidade luz. E agora os terroristas colocaram milhares de pessoas nas ruas, com medo e apreensão. E os parisienses estão presos em suas casas, com receio de sair às ruas. Que a liberdade, a igualdade e fraternidade predominem sobre a barbárie.

 

(Marcus Vinícius Beck, estudante, corintiano e defensor da liberdade)


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