Cotidiano

Polícia francesa suspeita de segundo jihadista foragido ligado a ataques

Redação DM

Publicado em 16 de novembro de 2015 às 23:15 | Atualizado há 11 anos

PARIS — Os investigadores do massacre em Paris suspeitam de um segundo terrorista foragido, informou o jornal francês “Le Monde”. Segundo os depoimentos recolhidos pela polícia, o carro que levou os jihadistas para um dos locais atingidos pelo massacre tinha três passageiros: os dois irmãos Salah e Ibrahim Abdeslam e, possivelmente, um terceiro homem ainda não identificado que estaria fugindo das autoridades. O veículo, um Seat preto, foi encontrado no sábado no subúrbio da capital francesa com três fuzis automáticos.

Em mais uma noite de buscas e amparada pelo estado de emergência imposto depois dos atentatos, a polícia francesa conduziu mais 128 operações durante a madrugada por todo o país sem mandados judiciais, e dez pessoas foram detidas, informou o ministro do Interior Bernard Cazeneuve. No dia anterior, o governo anunciou 168 ações policiais, com 23 detenções e 31 armas confiscadas, mas sem vínculo direto com os atentados de sexta-feira, que deixaram 132 mortos e mais de 350 feridos. Enquanto as investigações sobre o caso avançam, nesta terça-feira os agentes localizaram um carro supostamente alugado por um dos terroristas, o procurado Salah Abdeslam, e dois quartos de hotéis que podem ter sido usados por ele e outros agressores.

— Um Clio preto, encontrado na Praça Albert Khan no 18º de Paris, poderia ter servido à preparação dos atentados — disse uma das fontes policiais à agência. — Esse carro foi percebido na autoestrada A1 e poderia ter feito parte de operações preliminares entre Paris e Bélgica.

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Depois de concluir que não havia explosivos dentro do veículo, a polícia o retirou do local. Segundo o jornal “Liberatión”, o carro de placa belga foi alugado pelo francês Salah Abdeslam, para quem foi emitido um mandado de captura internacional no domingo. Ele é irmão de um dos suicidas nos ataques, Ibrahin Abdeslam.

Salah também teria reservado dois quartos em um hotel no Sudeste de Paris, entre os dias 11 e 17 de novembro. Um vídeo do jornal “Le Point”, foram encontrados no local caixas de pizzas, chocolates e seringas usados pelos terroristas, que chegaram dois dias antes do ataque. A polícia investiga se as agulhas foram usadas para elaborar os explosivos ou se eram injeções hipodérmicas. Contactado pelo “Guardian”, o dono do hotel negou que os homem estiveram lá.

OPERAÇÕES NA BÉLGICA E ALEMANHA

Junto à França, a Bélgica também vive um momento de muita tensão, com novas operações policiais realizadas no país nesta terça-feira. Até agora, sete pessoas supostamente ligados aos atentados foram detidas no território belga, mas cinco já foram libertadas. Os dois que seguem presos, Hamza Attou y Mohamed Amri, teriam se deslocado para o distrito de Molenbeek, no subúrbio de Bruxelas, onde esperavam Salah.

Na Alemanha, cinco pessoas foram detidas em Alsdorf, no distrito de Aachen – perto da fronteira entre Bélgica e Holanda. Inicialmente, a polícia prendeu duas mulheres e um homem que seriam cidadãos estrangeiros com ligações com as ações terroristas em Paris. Mais tarde, outras duas pessoas foram presas, mas ainda não há informações sobre elas.

“Depois dos ataques em Paris e buscas pelos agressores, a polícia em Aachen descobriu pistas de suspeitos individuais em Alsdorf”, disse o comunicado da polícia, continua fazendo buscas na área.

BUSCA POR ENVOLVIDOS

Depois de identificar cinco dos autores dos ataques, o governo francês divulgou hoje que não sabe número de pessoas envolvidas. À rádio France Inter, o primeiro-ministro Manuel Valls disse que os agentes ainda investigam se os terroristas agiram com cúmplices.

— Há talvez, na França ou na Bélgica, cúmplices dos indivíduos associados a esta matança — disse Valls. — Há duas ou três equipes? Como operaram? O que aconteceu exatamente no Stade de France? A investigação avança, mas com a discrição necessária.

Na mesma entrevista, Valls anunciou que François Hollande viajará na próxima semana a Washington e Moscou para discutir com os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin a formação de uma coalizão contra o grupo Estado Islâmico (EI) na Síria.

DETECTORES EM ESTAÇÕES

Em mais uma medida para se proteger de ameaças terroristas, a ministra francesa dos Transportes, Segolene Royal, pediu à companhia ferroviária nacional (SNCF) que instale detectores de metais em todas as estações de trem, em um esquema parecido nos embarques de aviões.

— Já fazemos isso para os trens internacionais e acredito que este controle também deve ocorrer nos trens na França — afirmou ela.

Na segunda-feira, Hollande anunciou que vai criar mais 5 mil postos de trabalho nas forças de segurança; ampliar as equipes de segurança nas prisões em até 2,5 mil funcionários; fortalecer a unidade antiterrorismo do país e evitar cortes nos gastos com segurança antes de 2019. Ele também afirmou que vai pedir ao Parlamento para estender o estado de emergência por três meses.

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