Cotidiano

Chefe da CIA alerta sobre novos ataques planejados pelo EI

Redação DM

Publicado em 16 de novembro de 2015 às 10:45 | Atualizado há 11 anos

PARIS — Depois de o primeiro-ministro Manuel Valls alertar que a França e outros países europeus podem ser alvo de novos atentados nos próximos dias ou semanas, o diretor da CIA, John Brennan, afirmou nesta segunda-feira que o Estado Islâmico está planejando novos ataques semelhantes aos de Paris. Um novo vídeo do grupo jihadistas publicado na internet ameaça as nações que bombardeiam a Síria. Três dias depois dos atos terroristas que deixaram ao menos 132 mortos, as investigações sobre os agressores avançam e cinco já foram identificados.

— Penso que essa não é a única operação que o EI está preparando — disse Brennan, destacando que os atos terroristas dos últimos dias não foram acontecimentos isolados.

As declarações seguiram um alerta do premier francês, que advertiu sobre novos ataques nos próximos dias ou semanas e pediu para a França estar preparada. Ele também destacou que os atentados foram “organizados, pensados e planejados” a partir da Síria.

— Vamos viver muito tempo com esta ameaça — advertiu Valls, em declarações à rádio RTL.

BUSCA POR AUTORES

A polícia belga realizou nesta segunda-feira operações no distrito de Molenbeek, no subúrbio de Bruxelas, ligadas aos ataques de Paris. Mais cedo, as autoridades francesas identificaram o belga Abdelhamid Abaaoud, atualmente na Síria, como o responsável por coordenar os atentatos, e outros dois terroristas tiveram os nomes revelados: o sírio Ahmad Al Mohammad, de 25 anos, que se explodiu no Stade de France, e o francês Samy Amimour, um dos atiradores do Bataclan.

Abaaoud, de 27 anos, é apontado como uma peça fundamental na organização e execução da serie de atos coordenados que eclodiram em vários pontos da capital francesa na sexta-feira à noite e devastaram a cidade. Cidadão belga de origem marroquina, ele passou um tempo lutando ao lado do Estado Islâmico na Síria e apareceu em um vídeo do grupo conduzindo um carro com corpos mutilados para uma vala comum.

O extremista é procurado pela polícia desde que uma operação contra uma célula jihadista no Leste da Bélgica terminou em tiroteio no início do ano. As autoridades acreditam que ele pode estar envolvido em outros atentados já realizados na Europa, como um ato frustrado a um trem perto de Arras, na França, em agosto, e outro ataque contra uma igreja de Paris em abril, que foi abortado. O jihadista também estava em contato com Mehdi Nemmouche, o atirador do Museu Judaico em Bruxelas, em maio do ano passado.

— Ele parece ser o cérebro por trás de vários ataques planejados para a Europa — disse uma fonte próxima as investigações à Reuters.

A Bélgica, no entanto, não confirmou as informações.

— São rumores. Não está confirmado e não vamos comentar — disse o promotor de Bruxelas, Eric Van Der Sypt.

IRMÃOS ABDESLAM

Segundo os relatos, Abaaoud seria parentes de Ibrahim e Salah Abdeslam. Ibrahim, de 31 anos, foi o homem-bomba no ataque ao restaurante Comptoir. Ele era um francês residente em Bruxelas.

Seu irmão do meio, Salah, também é suspeito de envolvimento nos ataques. Ele teria alugado o carro usado pelos jihadistas no ataque ao Bataclan. Após os atentados, ele pode ter fugido pela Europa e a Justiça belga emitiu uma ordem de detenção internacional contra ele. O mais novo, Mohammed Abdeslam, foi solto junto com outros quatro suspeitos presos nos últimos dias em Bruxelas, informou um promotor belga.

SÍRIO ENVOLVIDO

Um dos homens-bomba dos ataques seria um sírio que chegou à Europa há um pouco mais de um mês junto com um grupo de refugiados, informou a Procuradoria. As pistas sobre Mohammad surgiram depois que foi encontrado um passaporte ao lado de seu corpo perto do Stade de France. A autenticidade do documento ainda precisa ser comprovada, mas as autoridades indicam que existe uma compatibilidade entre as impressões digitais do suicida com as tomadas durante um controle na Grécia em outubro.

O segundo terrorista identificado nesta segunda-feira foi Samy Amimour, que nasceu em 1987 em Paris e vivia no subúrbio de Drancy. Ele já era conhecido pelas autoridades antiterroristas e foi indiciado em 19 de outubro de 2012 por tentar viajar ao Iêmen. O francês havia sido colocado sob controle judicial, mas após violar a ordem no fim de 2013, a polícia emitiu um mandado de captura internacional contra ele. Três pessoas de sua família foram detidas e são interrogadas.

BUSCAS POLICIAIS

A polícia francesa realizou vasculhou durante a noite casas de supostos militantes islâmicos, com 168 buscas em cidade de todo o país e 104 pessoas em prisão domiciliar, que “são objetos de uma atenção particular de nossos serviços”, segundo o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. Ele afirmou que 23 pessoas foram detidas e 31 armas apreendidas. Entre elas estavam “19 armas curtas, oito longas e quatro armas de guerra”, disse o ministro.

— Isto é apenas o início — sustentou Cazeneuve. — Estas ações vão continuar. A resposta da República será de grande envergadura e será total.

As operações aconteceram em 19 departamentos, incluindo Paris e seus arredores, e em todas as grandes cidades francesas, como Lille, Toulouse e Marselha (sul). Uma das operações ocorreu no subúrbio parisiense de Bobigny. Em Lyon, cinco pessoas foram presas e armas foram apreendidas, incluindo um lançador de granadas, coletes, várias pistolas e um fuzil de assalto Kalashnikov.

— Estamos usando o panorama legal do estado de emergência para interrogar pessoas que são parte do movimento radical jihadista… e todos aqueles que advogam ódio à república — disse Valls.

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