Apartamento na periferia de Paris pode ter sido alugado por terrorista
Redação DM
Publicado em 16 de novembro de 2015 às 09:00 | Atualizado há 11 anosPARIS — Um dos terroristas envolvidos nos atentados em Paris teria alugado um apartamento em Bobigny, na periferia da capital, suspeita a polícia francesa de acordo com “Le Figaro”. Segundo o jornal, policiais teriam descoberto e revistado o apartamento nesta segunda-feira. Não foi informado qual terrorista teria sido.
Bobigny é uma área pobre, predominantemente muçulmana, e alvo de grande parte das batidas realizadas nesta segunda-feira. Foram realizadas mais de 160 operações no país, em busca de locais em que alguns membros da célula terrorista pudessem estar escondidos. No total, 23 pessoas foram detidas.
Os nomes de três franceses e dois franco-belgas foram apresentados oficialmente pelas autoridades: Ismael Omar Mostefai, 29 anos; Samy Amimour, de 28; e Bilal Hadfi, de 20, um dos homens-bombas do Stade de France, nasceram na França; os irmãos Salah e Brahim Abdeslam, de 26 e 31 anos, nasceram em Bruxelas, mas tinham dupla cidadania. Brahim se explodiu na noite dos ataques; Salah continua foragido. Um terceiro irmão, Mohamed, chegou a ser detido, mas foi liberado por falta de provas.
Segundo a imprensa francesa, há suspeitas de que Amimour tenha morado em Bobigny, mas não ofi informado se ele teria alugado o apartamento revistado.
O suspeito de ser o cérebro dos atentados vive na Síria, mas nasceu em Molenbeek, subúrbio de Bruxelas. Ali mantinha contato com ao menos um dos dois irmãos Abdeslam. As autoridades acreditam que ele possa estar envolvido em outros ataques na Europa, como um ato frustrado a um trem perto de Arras, na França, em agosto; e outro ataque contra uma igreja de Paris em abril, também abortado. O jihadista também estava em contato com Mehdi Nemmouche, atirador do Museu Judaico em Bruxelas, em maio do ano passado.
Segundo o jornal “The Guardian”, o jovem de origem marroquina foi julgado à revelia por um tribunal belga em julho, e condenado a uma pena de prisão de 20 anos por recrutar combatentes para o EI — um deles seria seu irmão, de apenas 13 anos. Quando soube que o filho mais velho teria se radicalizado, seu pai, Mohammed, chegou a viajar para a Síria para tentar trazê-lo de volta.
Outro soldado do grupo terrorista por trás da tragédia é Amimour — que se suicidou no Bataclan junto a outros dois homens-bomba. Em outubro de 2012, chegou a ser indiciado por envolvimento com o terrorismo, após a revelação de que havia tentado viajar ao Iêmen. Interrogados ontem, seus familiares disseram que ele vivia na Síria há dois anos. Os investigadores agora se perguntam como Amimour conseguiu voltar à França sem ter sido notado.
Conforme avançam as investigações, algumas falhas na cooperação entre serviços de Inteligência europeus começaram a ser detectadas. Fontes indicam que o Estado Islâmico recomendou a seus comandos na Europa a atacarem países vizinhos, onde há mais chances de passarem despercebidos. Três dos terroristas, Salah e Brahim Abdeslam e Bilal Hadfi vivam na Bélgica, por exemplo, mas a polícia francesa não tinha conhecimento disso. Amimour, por sua vez, chegou a ser submetido a vigilância policial, em 2012, mas conseguiu evitar o cerco. A polícia perdeu seu rastro no segundo semestre de 2013. Desde então, havia um mandado internacional de busca e captura contra ele.
Perto do corpo de outro suicida, foi encontrado um passaporte sírio no nome de Ahmad al-Mohammad, 25 anos. Um homem com esse nome foi registrado como refugiado na Grécia há um pouco mais de um mês, junto com um grupo de mais de 60 migrantes. Mas a autenticidade do documento ainda precisa ser comprovada. Ontem, o ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, disse que pode tratar-se de uma “pista falsa”, deixada pelo EI para “radicalizar” o debate sobre a migração.