Hollande pede mudanças constitucionais para lutar contra terrorismo
Redação DM
Publicado em 16 de novembro de 2015 às 01:30 | Atualizado há 11 anosPARIS — O presidente François Hollande disse nesta segunda-feira diante de uma sessão no Parlamento que a França vai intensificar as operações na Síria e chamou os jihadistas de “covardes” e de “assassinos”. Três dias depois de de Paris ser devastada por uma série de ataques que deixou ao menos 132 mortos e foi reivindicado pelos Estado Islâmico, o chefe de Estado pediu uma resolução do Conselho de Segurança da ONU contra o terrorismo o mais rápido possível e solicitou uma reforma constitucional para combater as ameaças extremistas. O pronunciamento dele foi seguido pelo hino “Marselhesa”, cantado de forma emocionante pelos parlamentares que os aplaudiram longamente.
— O porta-aviões Charles de Gaulle será enviado na quinta-feira ao Leste do Mediterrâneo, o que triplicará nossas capacidades de ação. Não haverá hesitação e nenhuma trégua — disse o presidente, anunciando a ação que pode triplicar a habilidade do país de realizar ataques contra o EI. — A França está em Guerra.
Na terceira sessão conjunta do Parlamento liderada por um presidente francês – a última havia sido em 1848, Hollande disse ainda que pretende prorrogar por três meses o estado de emergência no país, ressaltando que quer medidas mais eficazes de controle das fronteiras internas e externas da União Europeia. Além disso, ele pediu que cidadão com dupla nacionalidade possa perder o passaporte francês se for condenado por terrorismo e que pessoas com dupla nacionalidade possam ser proibidas de entrar na França se apresentarem um “risco”.
— Se a Europa não controlar suas fronteiras externas, então voltamos para as fronteiras nacionais. Isso é um desmantelamento da União Europeia — afirmou. — Nós precisamos fazer mais. A Síria se tornou a maior fábrica de terroristas que o mundo já conheceu.
Hollande, no entanto, considerou ser “vital” que a UE continue a acolher refugiados da Síria e do Iraque, negando um apelo da extrema-direita para fechar as fronteiras aos migrantes. Para ele, as pessoas que fogem desses países são vítimas dos mesmos terroristas responsáveis pelos ataques de sexta-feira. No primeiro dia útil depois dos ataques, o presidente ressaltou que a França ainda está de luto e pediu união nacional para superar esse momento difícil.
— Nós pensamos nas centenas de jovens que ficaram traumatizados com os ataques. Alguns ainda estão lutando por suas vidas — disse. — Nenhum bárbaro vai nos impedir de viver como decidimos viver. Terrorismo não vai destruir a República, porque a República vai destruir o terrorismo.
BOMBARDEIOS NA SÍRIA
No domingo, o Ministério da Defesa francês informou que o país iniciou seus contra-ataques. Ao menos dez bombardeios foram realizados à capital do autoproclamado califado do grupo jihadista, Raqqa, atingindo um centro de controle e comando, um campo de recrutamento, um depósito de munição, um estádio, uma prisão secreta e um campo de treinamento. Ao total, foram 20 bombas utilizadas. Não há informações sobre feridos ou mortos na ofensiva. O país realiza ataques aéreos na Síria desde setembro.
A expectativa de Hollande é que os ataques continuem.
— Nossa democracia já triunfou antes sobre adversário muito mais formidáveis do que esses covardes.
O presidente francês se encontra com Barack Obama e Vladimir Putin nos próximos dias, segundo ele mesmo adiantou no Parlamento, para planejar uma estratégia contra o Estado Islâmico.