Cotidiano

Estados americanos fecham fronteiras para refugiados sírios

Redação DM

Publicado em 16 de novembro de 2015 às 01:30 | Atualizado há 11 anos

HOUSTON – Os estados do Texas e do Arkansas anunciaram nesta segunda-feira que não aceitarão mais refugiados sírios, assim como Alabama e Michigan afirmaram no domingo. Segundo os governos regionais, a permissão de pessoas que fogem do conflito na Síria é muito perigosa após os atentados de Paris.

Greg Abbott, governador do Texas e Asa Hutchinson, do Arkansas, afirmaram que não apoiariam mais a meta do governo Obama de acolher 10 mil refugiados sírios nos próximos anos.

“O Texas não pode participar de qualquer programa que resulte em refugiados sírios – qualquer um deles pode estar ligado ao terrorismo – sendo restabelecidos no Texas”, disse Abbott em carta aberta a Obama nesta segunda-feira. “Nem você, nem qualquer autoridade federal pode garantir que os refugiados sírios não farão parte de alguma atividade terrorista”.

As decisões de rejeitar a entrada de refugiados da Síria surgem três dias após os atentados coordenados em Paris, orquestrados a pedido do Estado Islâmico, que deixaram pelo menos 132 mortos. Um passaporte sírio encontrado perto do corpo de um dos suicidas mostrou que o cidadão entrou na Europa pela Grécia em outubro.

Os Estados Unidos receberam 1682 refugiados sírios no ano fiscal federal que acabou em 30 de setembro: quantidade bem acima dos 105 acolhidos no ano anterior. A maior parte deles foi direcionada ao Texas, Califórnia e Michigan.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, afirmou em setembro que o país aumentaria o número de refugiados recebidos de todos os países em até 15 mil por ano nos próximos dois anos, totalizando 100 mil até 2017.

Rick Snyder, governador do estado de Michigan, descreveu a região, que tem a maior população árabe-americana, como “acolhedora” mas disse que o risco associado à entrada de sírios é muito alto.

— Nossa primeira prioridade é proteger a segurança de nossos residentes — declarou Snyder no domingo. — Dada a terrível situação em Paris, eu ordenei que interrompessem nossos esforços em aceitar novos refugiados até que o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos termine uma revisão completa dos procedimentos de segurança.

Alguns grupos de ajuda humanitária a refugiados criticaram as medidas, afirmando que os governos visam de forma errada as pessoas que fogem da violência e não tentam espalhá-la.

“A esses governos que falsamente alegam que os programas de admissão de refugiados nos Estados Unidos colocam os estados em riso é extremamente absurdo”, disse em comunicado o reverendo John McCullough, chefe-executivo do Church World Service, um dos nove grupos de caridade que trabalha com o Escritório de Restabelecimento de Refugiados. “Essas reações idiotas alimentam medo e intolerância, o que não têm espaço neste grande país”.

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