Cotidiano

Polícia belga prende sete pessoas ligadas a ataques de Paris

Redação DM

Publicado em 15 de novembro de 2015 às 10:35 | Atualizado há 11 anos

PARIS — Um veículo utilizado durante os ataques de sexta-feira à noite contra dois restaurantes de Paris foi encontrado no subúrbio da capital francesa, informou a polícia francesa neste domingo. O carro preto estava abandonado em Montreuil com fuzis Kalashnikov dentro. Enquanto as investigações sobre os atentados avançam, seis parentes do primeiro terrorista identificado são interrogados e os agentes buscam por outros envolvidos nos atentados. Na Bélgica, sete pessoas foram presas, três no sábado e quatro neste domingo, e as autoridades informaram que dois dos agressores que se explodiram na cena do crime eram franceses que viviam no país vizinho. Ao menos 129 pessoas morreram nos atos coordenados em vários pontos da capital e 350 ficaram feridas, 99 em estado crítico. Até agora, 103 corpos das vítimas foram identificados, informou o primeiro-ministro Manuel Valls.

Omar Ismael Mostefai era um cidadão francês de 29 anos de ascendência argelina e era conhecido pelo serviço de Inteligência francesa desde 2010 pela Justiça como pequeno delinquente e por ligações com radicais islâmicos. Ele, inclusive, teria sido radicalizado por um imã belga. Segundo o jornal “Le Monde”, Mostefai provavelmente passou alguns meses na Síria entre 2013 e 2014, depois que ele viajou à Turquia, porta de entrada de muitos extremistas aos redutos do Estado Islâmico.

Na noite de sexta-feira, o francês chegou em um carro preto na casa de show Bataclan junto com outros terroristas armados com fuzis Kalashnikov e vestidos de coletes de explosivos. Ao entrar no teatro, eles abriram fogo contra a plateia que assistia a um show da banda Eagles of Death Metal. Segundo sobreviventes, os homens gritaram “Alá akbar” (Deus é grande) e “Isso é pela Síria”. Pelo menos 89 pessoas morreram no local.

Outro homem suspeito ainda é procurado pela polícia francesa, segundo o canal de TV BFM, citando fontes policiais. As autoridades acreditam que ele seja um cidadão francês que alugou outro veículo visto perto do Bataclan. Ainda não se sabe se ele também disparou contra as pessoas na casa de show.

De acordo com o promotor de Paris, François Molins, três grupos comandaram os ataques. Os terroristas se distribuíram para conduzir ataques com fuzis e cintos com explosivos — alguns feitos de Taap, um composto que facilmente passa despercebido por cães farejadores. Pelo menos um deles tinha ingresso para a partida, mas, ao ser revistado, com cerca de 15 minutos de jogo, foi descoberto um colete de explosivos. O atacante, então, detonou o colete, carregado com explosivos e parafusos. Perto dali, cerca de três minutos depois, uma segunda pessoa também se explodiu do lado de fora do estádio. O terceiro suicida detonou explosivos perto de um McDonald’s.

Um passaporte sírio também foi achado junto ao corpo de um dos homens-bomba que detonaram uma das explosões na porta do Stade de France, durante o jogo entre França e Alemanha — o vice-ministro grego de Polícia confirmou que o sírio havia chegado à União Europeia pela Grécia em outubro.

PRISÕES NA BÉLGICA E ALEMANHA

As investigações se espalharam para outros países do continente. Na Bélgica, a procuradoria federal abriu uma investigação antiterrorista vinculada aos atentados de Paris depois que foi encontrado um carro com placa belga perto da sala de espetáculos Bataclan. Além disso, a polícia realizou várias detenções em Bruxelas em uma importante operação vinculada aos atentados na França. Segundo a imprensa local, três dos terroristas são da cidade de Molenbeek.

Um suspeito de relação com os ataques também foi preso na Alemanha, mas se recusa a falar dos atos em Paris. O homem de Montenegro, de 51 anos, foi detido na semana passada com fuzis Kalashnikovs e explosivos, no entanto afirma desconhecer as armas apreendidas, indicou neste domingo a polícia alemã. O plano dele era visitar a Torre Eiffel.

A prioridade das autoridades agora é identificar os corpos, incluindo os dos terroristas, em sua maioria pulverizados. Uma vez completado o processo, será determinado se eles tiveram a ajuda de cúmplices.

— Podemos dizer, neste ponto da investigação, que provavelmente foram três grupos de terroristas coordenados por trás desse feito bárbaro — afirmou Molins.

LUTO E ATRAÇÕES FECHADAS

A França amanheceu mais um dia de luto, após os ataques que deixaram mais de 300 feridos, entre eles três brasileiros. Museus e teatros permaneceram fechados em Paris pelo um segundo dia no domingo, com centenas de soldados e policiais patrulhando as ruas e estações de metrô depois que o presidente francês, François Hollande, declarou estado de emergência.

Uma cerimônia especial para a família das vítimas e sobreviventes ocorrerá neste domingo na Catedral de Notre Dame, em Paris.

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