Cotidiano

Governo do Brasil avalia alta do nível de risco dos Jogos do Rio

Redação DM

Publicado em 14 de novembro de 2015 às 23:05 | Atualizado há 11 anos

Os atentados de Paris elevaram o nível de alerta das autoridades do governo brasileiro responsáveis pela segurança dos Jogos Rio 2016. Protocolos nos três eixos — segurança pública, defesa e inteligência — serão intensificados e devem receber ajustes assim que os detalhes dos atos terroristas forem totalmente conhecidos. Maior evento esportivo do planeta, a Olimpíada e a Paralimpíada mobilizarão cerca de 15 mil atletas de 206 países, com milhares de turistas. Só na cerimônia de abertura, em 5 de agosto, cerca de cem chefes de estado e de governo são esperados.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, explicou que todo o plano de segurança já está formulado e que a meta é intensificar a colaboração internacional.

— Evidentemente, os ataques terroristas de Paris estão sendo acompanhados em todos os seus detalhes. Agora, é fato que o Brasil não tem núcleos de terrorismo atuando. De qualquer maneira, a Polícia Federal, as Forças Armadas e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) estão fazendo um trabalho muito intenso de troca de informações — disse o ministro, que ressaltou que não haverá mudança na estratégia. — Nós temos uma matriz pronta, que foi aplicada na área de terrorismo na Copa do Mundo com sucesso. Não vamos, por enquanto mexer nela. Na nossa avaliação o Brasil está bem estruturado.

Para o ministro, não serão medidos esforços para identificar e neutralizar vulnerabilidades.

— Mesmo que mantenhamos a matriz, diante dos acontecimentos da França, da violência das ações, nós temos que analisar todas as informações — disse Cardozo.

O general Luiz Felipe Linhares Gomes, assessor de Segurança dos Jogos Olímpicos e Paralimpícos do Ministério da Defesa, lembrou que a previsão é termos o maior efetivo de segurança já visto no país, com cerca de 85 mil homens.

— Nunca houve nada igual. O Exército, a Marinha e a Aeronáutica mobilizarão no país 35 mil homens, 20 mil deles no Rio. Acredito que teremos um ambiente seguro e pacífico.

Na opinião do general Linhares, o estágio de preparação para a ameaça terrorista, que prepara até mesmo o cidadão comum a identificar uma eventual ameaça, deve aumentar gradualmente.

— São protocolos que passam a ser adotados para ajudar a população a identificar possíveis ações terroristas.

Como exemplo, o general relatou que, há cerca de dois meses, em São Paulo, uma pessoa percebeu uma maleta abandonada num local público e acionou a Guarda Municipal.

— Seguindo o protocolo, os guardas municipais isolaram o local e comunicaram a Polícia Militar. Os PMs perceberam que havia explosivo na mala. Imediatamente comunicaram o fato ao Exercito. Nós fomos lá e destruímos a mala. Nela havia explosivos C-4 (explosivo plástico).

Para o secretário para Segurança de Grandes Eventos, Andrei Augusto Passos Rodrigues, a estratégia do Brasil para prevenir ações nos Jogos Olímpicos não muda, porém o ataque reforça de forma definitiva o entendimento de que é necessário adotar “um novo patamar” de vigilância.

— Trabalhamos o tempo inteiro com a perspectiva de prevenção. E uma série de medidas será adotada para que o Brasil tenha um novo patamar de combate ao terrorismo para os Jogos, que, do ponto de vista de segurança, é o ápice dos eventos, o maior e o mais complexo.

VISTOS PREOCUPAM

Outro tema analisado com cautela é o projeto de lei que permite o ingresso de estrangeiros no Brasil sem visto para acompanhar os Jogos. A proposta, que aguarda a sanção da presidente Dilma Rousseff, prevê a liberação do visto, entre junho e setembro. De acordo com texto, o visitante nem precisa comprovar que detém credencial ou comprou ingressos para o evento.

As forças de segurança avaliam que o ideal seria flexibilizar as regras de entrada apenas para visitantes credenciados ou com ingressos. O Ministério do Turismo deve formular até o final de novembro a minuta de regulamentação, que deve ser apresentada a Dilma antes da sanção.

Com relação ao plano de prevenção a atos terroristas, a principal aposta está no investimento em processos de pronta resposta em caso de ameaça, como a atualização dos sistemas de comunicação e de integração de informações armazenadas em diferentes bancos de dados, tanto do governo federal quanto dos estados.

Esta integração deve ocorrer por meio do Sistema Integrado de Comando e Controle, que trabalhará em cooperação com outros países, como Estados Unidos, Inglaterra e França, além do fluxo de informações dos serviços de inteligência do Mercosul, em especial da Argentina. A Polícia Federal também conta com as informações sistematizadas pela Interpol, que reúne dados de 190 países.

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