Cotidiano

ACNUR condena bloqueio a refugiados nos Bálcãs e defende direito a asilo

Redação DM

Publicado em 24 de novembro de 2015 às 09:40 | Atualizado há 11 anos

GENEBRA — Impedidos de entrar na Macedônia, cerca de mil imigrantes e refugiados permanecem retidos na principal fronteira com a Grécia em um momento em que as autoridades bloquearam a entrada de algumas nacionalidades. A política de triagem de imigrantes tem levantado preocupações sobre o respeito aos direitos humanos, e a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur) condenou nesta terça-feira as restrições, defendendo que a medida não respeita a lei internacional.

— Uma nova situação humanitária que necessita atenção urgente está ocorrendo na Europa — disse Adrian Edwards da Acnur. — As novas restrições envolvem principalmente pessoas que estão sendo distinguidas por sua nacionalidade.

Nas fronteiras entre a Grécia e Macedônia, e entre Macedônia e Sévia, só está sendo permitida a passagem de cidadãos da Síria, Afeganistão e Iraque. Os imigrantes de outros países estão sendo bloqueado, o que provocou protestos de cerca de 200 pessoas, que são em sua maioria do Irã, Bangladesh e Paquistão. Alguns estão em greve de fome.

— Todas as pessoas têm direito a pedir asilo, sem importar sua nacionalidade, e que seus casos individuais sejam ouvidos. Se deve oferecer a informação apropriada aos afetados — disse Edwards.

Na segunda-feira, marroquinos, iranianos e paquistaneses retidos na fronteira da Grécia com a Macedônia bloquearam o tráfego ferroviário e exigiram passagem para a Europa Ocidental. Parte dos migrantes costurou os lábios para protestar contra o impedimento de seguir a jornada pela Europa. Um grupo de seis homens, aparentemente do Irã, se despiram e pintaram mensagens no corpo.

Um iraniano que se declarou em greve de fome, se despiu até a cintura, costurou os lábios com nylon e sentou-se na frente de uma linha de policiais macedônios. Questionado sobre para onde ele queria ir, o homem, de 34 anos que disse chamar-se Hamid e ser um engenheiro elétrico, respondeu:

— Para qualquer país livre no mundo. Não posso voltar. Vou ser enforcado.

Depois de chegar de barco e bote à Grécia a partir da Turquia, centenas de milhares de imigrantes, muitos deles sírios fugindo da guerra, têm caminhado por toda a península dos Bálcãs. O destino deles é chamar aos países mais ricos da Europa setentrional e ocidental, principalmente a Alemanha e a Suécia.

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