Seis partidos da oposição decidem obstruir as sessões da Câmara
Redação DM
Publicado em 24 de novembro de 2015 às 01:00 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – Em uma reunião entre líderes de seis partidos (PSDB, DEM, PPS, Rede, PSOL e PSB) na tarde desta terça-feira, os dirigentes decidiram pela obstrução total nas votações da Câmara dos Deputados enquanto o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), permanecer no cargo. Eles também anunciaram que não participarão da reunião de líderes da Câmara – que ocorre todas as terças na parte da tarde – pois participarão da sessão do Conselho de Ética que ocorre daqui a pouco.
O anfitrião do encontro foi o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR). Os líderes se reuniram a portas fechadas na liderança do PPS e depois falaram com os jornalistas.
— Tudo tem limite, e todo limite foi extrapolado. Então não cabe outra decisão do que esta — introduziu Bueno.
Apesar de terem participado da reunião e terem se posicionado a favor das medidas anunciadas, o líder do DEM na Casa, Mendonça Filho (PE) – legenda que apoiou Cunha na eleição para a presidência da Casa -, e o deputado Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB, disseram que ainda terão que referendar as decisões junto a suas bancadas. O PSB também conversará com seus parlamentares.
Nesta quarta-feira, os líderes terão uma audiência com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e farão uma representação formal contra o presidente da Câmara.
O deputado Júlio Delgado (MG), líder do PSB na Câmara, disse que, enquanto algumas legendas farão uma obstrução real, integrantes de partidos como PT e PMDB farão uma “obstrução branca”.
— Não somos só nós (que aderimos), vimos na semana passada que somos mais de uma centena. Sabemos que temos adeptos no PMDB, no PT. Ao fazermos uma obstrução real, eles farão uma obstrução branca.
Os integrantes da reunião ressaltaram, mais uma vez, que se trata de um movimento suprapartidário. Para o líder do PSOL, deputado Chico Alencar (RJ), será um movimento “amplo” e “plural” para dar um basta às manobras de Cunha.
— O que dá a liga desse movimento suprapartidário é a compreensão a que chegamos de que Eduardo Cunha não tem mais condições de presidir a Casa. Vamos nos empenhar por um movimento plural, amplo. Há uma grande unidade entre nós – afirmou Alencar, dizendo ainda que o presidente da Câmara instituiu uma “verdadeira KGB” dentro da Casa, uma referência ao serviço secreto soviético, extinto em 1991.
O deputado Mendonça Filho, que ainda se reunirá com a bancada na tarde de hoje, disse que está “alinhado” com a posição dos demais líderes de obstrução completa às votações na Câmara e que a tendência é que a bancada o acompanhe:
— Eu pessoalmente já manifesto a posição alinhada no sentido de que se faça uma obstrução, que tem como propósito a respeitabilidade do Parlamento. Mas tenho que respeitar a autonomia da bancada. Já fiz algumas consultas hoje de manhã e elas indicam que o posicionamento deve ser esse – adiantou Mendonça.
Sentados na mesa do plenário, de onde anunciaram as decisões, estavam ainda o líder da Rede, Alessandro Molon (RJ), o tucano Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB, e a deputada Eliziane Gama (MA), também da Rede.
Também compareceu à reunião a portas fechadas o deputado petista Leonardo Monteiro (MG). Ele não falou com jornalistas e saiu antes do fim da reunião.