Síntese 2015: Medida de desigualdade fica parada entre 2011 e 2014
Redação DM
Publicado em 4 de dezembro de 2015 às 08:05 | Atualizado há 11 anosRIO – A relação entre o que mais pobres e os mais ricos se apropriam da massa dos rendimentos ficou parada entre 2011 e 2014, segundo os dados da Síntese de Indicadores Sociais 2015, do IBGE. Em 2014, os 40% mais pobres detinham 13,3% da massa de rendimentos de todas as fontes da economia, enquanto os 10% mais ricos respondiam por 41%. Em 2011, essas taxas eram de 13,1% e 41,9%, respectivamente. A relação entre a taxa dos mais ricos e dos mais pobres era de 3,1 vezes, nível que ficou parado entre 2011 e 2014. Em 2011 e 2012, foi de 3,2 vezes, e em 2013 passou para 3,1 vezes.
— Desde 2004 há um aumento da apropriação da massa de rendimentos pelos mais pobres, ou seja, uma redução da desigualdade, mas de 2011 a 2014, isso se estabiliza, não reduz tanto. Uma variação de 3,2 vezes para 3,1 vezes é uma estabilidade — afirma André Simões, técnico do IBGE.
Segundo o IBGE, a estagnação no período mais recente reflete uma estabilização dos ganhos relativos dos 40% com os menores rendimentos nos últimos anos. Em 2004, esse grupo se apropriava de 10,6% do total dos rendimentos, parcela que foi de 13,1% em 2011 e 2012, de 13,2% em 2013 e 13,3% em 2014.
A proporção entre o que os mais ricos e o que os mais pobres se apropriam da massa de tendimentos é uma forma de medir a desigualdade conhecida como índice de Palma.
Em uma comparação mais longa, observando o período entre 2004 e 2014, vê-se uma forte redução nesse indicador. Em 2004, o rendimento concentrado pelas com os 10% maiores rendimentos representava 4,3 vezes o acumulado pelas pessoas com 40% menos rendimentos. Naquele ano, os mais pobres detinham 10,6% da massa de rendimentos de todas as fontes da economia, enquanto os mais ricos respondiam por 45,5%.
Transferências são 38% da renda entre os mais pobres
A participação das transferências de renda no orçamento dos mais pobres dobrou em uma década. Nas famílias com rendimento domiciliar per capita é de até um quarto do salário mínimo — o correspondente a R$ 181 em 2014 —, 38% da renda vêm dessa fonte pública, que podem ser Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) para idosos e deficientes mais pobres e as bolsas estaduais. Em 2004, essa parcela era de 18,8%.
— Nas famílias com renda mais baixa, não há renda de aluguéis ou investimentos. Então, o que se viu em dez anos foi um aumento da participação de outras fontes, que seriam os programas de transferência de renda — explica André Simões.
Desigualdade de raça permanece
Os dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que permanece a desigualdade dos rendimentos segundo a cor ou raça da população. Com mais da metade da população (53%), pretos e pardos representavam 76% das pessoas com os 10% menores rendimentos e apenas 17,4% no 1% com maiores rendimentos em 2014. Há um crescimento da parcela desse grupo entre os mais ricos em uma década — em 2004, eram apenas 12,4% dos mais ricos —, mas ainda há uma grande diferença com os brancos. No grupo de 1% com maiores rendimentos, os brancos respondem por 79,6% do total, enquanto no grupo dos 10% com menores rendimentos eles são apenas 22,8% do total.
— É claro que houve uma melhora ao longo do tempo, mas ainda é uma estrutura de discrepância na participação dos pretos e pardos entre os maiores rendimentos. A desigualdade de rendimento por raça continua — diz André Simões, técnico do IBGE.