Jornalista venezuelano: ‘País virou um concerto sem maestro’
Redação DM
Publicado em 4 de dezembro de 2015 às 05:06 | Atualizado há 11 anosCARACAS – Aos 62 anos, Cesar Miguel Rondón tem um dos programas de rádio de maior audiência na Venezuela. E a maioria dos ouvintes é formada por jovens, que, segundo ele, serão “a geração que irá resgatar o país”. O jornalista, um dos mais influentes da Venezuela, lembra que fazer uma mídia independente não é uma tarefa fácil — seu último embate com o governo foi em setembro.
Qual o som da Venezuela?
Um concerto sem maestro. Imagine-se no centro antigo de Caracas, onde há encostas íngremes. Um caminhão de lixo, por algum motivo, tem a porta quebrada e caem todas as latas, rolando pela rua. Esse escândalo sem ordem é a Venezuela de hoje.
Que música tocará no domingo?
John Lennon cantando “Imagine”; Ismael Rivera, com “El Nazareno”, que fala de amizade, de coisas que se conseguem com a união de todos. Vamos sintonizá-la. Na segunda-feira, dia 7, vai tocar uma coisa muito bonita, suave, e vamos começar a cantar em paz.
O que está em jogo no domingo?
A continuidade deste regime nefasto. Não estamos escolhendo uma mudança de governo, mas um limite para o governo. Uma Assembleia Nacional serve para colocar limites. O projeto do chavismo se esgotou.
Quais os possíveis cenários?
O primeiro é que a oposição consiga um amplo respaldo. Para isso, tem que ser uma vitória avassaladora. Este seria o cenário ideal. Poderá haver euforia e algum debate pouco importante, violento. Outro cenário é que os resultados demorem a sair e o CNE diga que o governo ganhou com maioria dos votos. Aí pode haver confusão, porque ninguém vai acreditar. O terceiro é mais delicado, uma mistura dos dois. A oposição ganha e o governo não reconhece os resultados.
Qual o grande desafio para depois das eleições?
Manter a unidade da oposição e que ela saiba erguer pontes necessárias com os setores do oficialismo que acreditaram na revolução. A meta do país é se conciliar novamente. E me parece extraordinário que Nicolás Maduro continue sendo presidente. Que Maduro tome medidas duras e vá colocando ordem na casa com a ajuda da oposição e da AN, para que a transição aconteça aos poucos.