Polícia Única estadual
Redação DM
Publicado em 20 de outubro de 2015 às 00:45 | Atualizado há 11 anosMuita gente já se manifestou sobre este assunto, uns se colocando contra e outros a favor. Sempre que a segurança pública não vai bem, logo aparecem os salvadores da pátria, nem sempre com boas intensões, apresentando propostas para melhorar a segurança pública e logo falando em polícia única nos estados. Esquecem, inclusive, de falarem dos demais segmentos que compõem o sistema, culpando de pronto as polícias pela falta de segurança. Alegam, como causa, a falta de entrosamento entre os integrantes das duas corporações policiais. Se olharmos para a história das polícias estaduais, vamos constatar que realmente nunca houve um perfeito entrosamento entre as duas corporações. As pessoas citam, inclusive, o egoísmo, a inveja, o corporativismo e a sede pelo poder, como obstáculo maior para criação de uma polícia única nos estados, que ao meu ver, significaria menos despesas e mais eficiência na prestação de serviços.
Propostas de mudanças, em qualquer setor da atividade pública, provocam desconfiança e resistência das pessoas da área. O Brasil está precisando fazer profundas mudanças, e está encontrando grande dificuldade, tudo por conta do medo, da desconfiança e da falta de patriotismo dos brasileiros. As polícias estaduais formam duas estruturas pesadas, carentes e não conseguem atender mais as demandas da sociedade. Atuam no mesmo espaço, trabalham com a mesma clientela e detêm competências diferentes. A militar cuida do trabalho preventivo-ostensivo e a civil do investigativo-repressivo. Estas são missões exclusivas de cada uma. Porém, no teatro de operações, uma infiltra na missão da outra, provocando desconforto e prejudicando o bom relacionamento entre as duas.
As duas polícias, além das estruturas que geram despesas e imobiliza os integrantes, dificulta também a sequência dos trabalhos, retarda a conclusão dos procedimentos, provoca ciúmes e estimula a “concorrência” entre os policiais. A existência de uma única polícia no estado, baseada na hierarquia e na disciplina, com um segmento fardado para o serviço ostensivo, e outro a paisana para o trabalho de investigação, acreditamos que teríamos uma polícia mais enxuta e eficiente. Várias tentativas já foram feitas para fundir as duas corporações, sendo todas rechaçadas pelos seus integrantes. Ninguém quer abrir mão de suas conquistas e nem da sua história. Nessa briga, tem prevalecido o interesse das corporações, em detrimento do suposto interesse da sociedade.
A solução da segurança pública não está só nas polícias, como alguns pensam. A polícia é apenas uma peça desse tabuleiro. Se o governo deseja proporcional segurança à população, tem que investir pesado no sistema de segurança pública e combater com mão de ferro as causas da violência e da criminalidade. Medidas paliativas como tem sido feitas, não surtem mais os efeitos esperados. Deixaram o problema se alastrar pelo país a fora, agora está difícil a solução. Daqui para frente, se o governo quiser combater os criminosos, que já se organizaram, terá que criar uma cruzada nacional, envolvendo todas as forças, inclusive a própria sociedade, para fazer uma varredura no território nacional, prendendo criminosos, combatendo o tráfico de drogas, desarmando as organizações criminosas e acabando com a miséria social.
A Constituição Federal prevê a existência de sete polícias, sendo três federais e duas estaduais. Será que precisamos de tantas polícias? E se fosse apenas uma polícia federal e uma estadual operando o ciclo completo nas suas áreas de competências? Com todo o respeito ao contraditório, penso que teríamos organizações mais enxutas, melhores estruturadas e mais eficiência no trabalho. Por estas e outras razões, penso que cada estado deveria ter uma polícia, com a missão de preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Não é tarefa fácil mexer nessa área, mas se pensarmos primeiro na defesa do Brasil e dos brasileiros, qualquer mudança é válida e possível.
(Gercy Joaquim Camêlo, governador do Rotary International, Distrito 4530, Gestão 2012/2013)