Grandiosidade singela
Redação DM
Publicado em 19 de outubro de 2015 às 20:57 | Atualizado há 1 anoPor Rariana Pinheiro
Ao relembrar os pontos turísticos de Goiânia, na proximidade de seu aniversário de 82 anos, seria quase um sacrilégio esquecer os grandes painéis da Via Sacra. Pois, construídos pelo artista plástico Omar Souto na GO-060 – nos 16 km que separam Goiânia e Trindade – estas obras se transformaram em uma das maiores galerias de arte a céu aberto do mundo. Saindo do trevo de Goiânia, a caminhada até o Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, tem cerca de 18 Km.
O conjunto de painéis fornece mais emoção à tradicional caminhada pelo trecho, que atrai milhares de fiéis durante a festa da igreja católica dedicada ao Divino Pai Eterno, em Trindade, que é celebrada no primeiro final de semana de julho. E durante a Semana Santa, já virou tradição que se tornem cenário para a encenação da paixão de Cristo do grupo de teatro Desencanto. Este espetáculo tem direito a uma produção grandiosa, e que percorre todo trecho entre Goiânia e a “Capital da Fé”.

Tal obra prima foi construída por Omar Souto em 1988 e restaurada mais recentemente, em 2010. Elaborada por um processo que reúne engenharia e arte, ela remete ao passado de pedreiro, do hoje consagrado artista plástico primitivista. Toda sua estrutura é de concreto e alvenaria que lembra um grande altar, onde é comum que os fiéis acendam velas. Já as ilustrações são feitas de mosaicos de cerâmica e concreto em alto relevo.
Ao longo da “Rodovia dos Romeiros”, os painéis estão distribuídos em dupla. Em cada um deles é possível perceber a personalidade do artista, cuja maior inspiração é o povo simples e a cultura popular. Por isso, por meio de seu estilo primitivista, o artista consegue capturar a essência dos devotos do Divino Pai Eterno, que todos os anos, lotam aquelas calçadas agradecendo e pedindo, durante a festa.
A obra de Omar possibilita ainda um mergulho à oração, representando passagens da bíblia ligadas à vida, morte e ressureição de Jesus Cristo. No entanto, há ainda nos desenhos, figuras contemporâneas, inerentes, não apenas no imaginário do artista, como também estão entranhadas – quase como feridas abertas – junto às memórias dos goianienses. Todos os painéis, por exemplo, mostram a menina Leide das Neves, vítima do acidente radioativo com o Césio 137, que aconteceu em Goiânia em 1987.




