Uma feira sem limites
Redação DM
Publicado em 16 de outubro de 2015 às 23:47 | Atualizado há 1 ano
A produção independente é uma parte das áreas artísticas interessante. Na verdade, produzir arte é meio que trabalhar dessa forma, afinal os incentivos financeiros para a produção de trabalhos artísticos nunca foi bom e atualmente anda cada vez mais a beira da decadência. Os órgãos que, supostamente, deveriam cuidar e zelar pela identidade do seu povo se preocupam apenas em divulgar editais e enfiar dinheiro na boca do artista. A vontade das secretarias de cultura de Goiás e também de todo o Brasil é ver o artista calado, no canto do quarto. Portanto, a produção independente não é só uma forma de trabalhar mesmo sobre trabalhos de Hércules, mas um manifesto contra as sanções que um artista sofre.
Apesar dessas nuances e dificuldades, o artista às vezes encontra uma forma e um espaço para apresentar sua obra. Seja na rua, no bar, na esquina ou nos eventos que pipocam pelas cidades. Entre esses eventos destacamos um em específico que ocorre amanhã. A Feira Abstrata, organizado pelo selo literário Zé Ninguém, chega na sua quarta edição com a proposta de não ter nenhuma proposta. Ou seja, a feira é montada pelas pessoas que tem interesse em participar, expor ou doar o que fazem, sem nenhum tipo de seleção ou censura. O artista pode levar tanto seu trabalho em mãos ou na ponta da língua. Além da feira que será montada, o evento sempre conta com um palco aberto a fim de dar espaço para aqueles que produzem no corpo e não no papel, no tecido e etc.
A intenção dos produtores é juntar a maioria dos artistas que produzem seu próprio trabalho, ou seja, sem patrocínio ou ninguém por trás. Dessa forma, tenta-se criar um espaço comum entre artista e público, facilitando o contato entre esses dois mundos que dependem um do outro, mas na maioria das vezes aparecem apartados. O evento ocorre no Espaço Sonhus, localizado ao lado do Colégio Lyceu no Setor Central. A entrada é franca e as portas do espaço devem estar abertas a partir das 17h, mas as pessoas que pretendem expor devem chegar mais cedo, conforme consta na página do evento. Portanto, está um espaço onde se cabe tudo.

No dia
Além da feira que será montada nas proximidades do Teatro, outros detalhes estão inseridos na programação. O Sarau Ritual, por exemplo, é uma das atrações para a quarta edição da Feira Abstrata. O evento é realizado mensalmente no local e convida poetas, músicos e artistas de Goiânia para subir ao palco sem vergonha e sem preconceito. O modelo deste sarau é o conhecido palco aberto onde não se executa limites para o que é apresentado e nem para quem apresenta. Ou seja, tudo a ver com a proposta da Feira Abstrata.
Também consta na programação uma reunião entre diversos novos artistas visuais de Goiânia. Estarão expostos pelos corredores do Espaço Sonhus artes de Wes Gama, Marcelo Dakí, Cabruske, Rabiscos e Escarros (Heitor Vilela), André Cardoso, Carlos Monaretta, Kaos e Ponto. As obras dos convidados estarão a venda pelo preço que estes determinarem. Os trabalhos que serão divulgados neste evento estão na página do mesmo no Facebook.
Rima na Rinha

Uma batalha de poesias também está marcada na programação deste evento. As batalhas de poesia ou Poetry Slam (para alguns apenas Slam) é um modelo de sarau conhecido fora do país e com grande número de adeptos no Estado de São Paulo. Basicamente, a ideologia central do Slam são poemas autorais de até 3 minutos. O julgamento sobre quem se saiu melhor ou pior é do público. Nesta edição os organizadores da Feira permitem uma diversidade para o modelo. Um poeta desafia todos os presentes. William Trapo é poeta da cidade de Goiânia e vive às ruas do centro diariamente. É um dos organizadores do evento de ocupação dos becos de Goiânia o Domingo no Beco. Os participantes podem ler poemas próprios ou não e as regras são bem menos engessadas, sendo mais uma brincadeira do que uma disputa.