Televisão: como aproveitar essa janela universal e moderna?
Redação DM
Publicado em 16 de outubro de 2015 às 22:37 | Atualizado há 11 anosVivemos a era do audiovisual, com diversas imagens e sons invadindo a nossa retina e inconsciente, servindo como janela e ponte para o mundo inteiro; sim, pois com a TV a China ficou ali do outro lado da rua. Tudo é gravado, filmado, analisado, jogado na rede em tempo recorde. O título, a desgraça, o terremoto, a beleza da modelo, o sucesso do cantor, as denúncias do político, a queda da economia, a descoberta da ciência, os jogos de computador, a tabela de preços, os festivais de música, a morte do ídolo, o nascimento do príncipe herdeiro passam pela telinha digital e moderna. A televisão é o sono do bezerro de ouro da civilização, e que também já foi chamada de babá eletrônica. Mas será que estamos sabendo usar este instrumento de cultura, diversão, conhecimento, alienação, pesquisa, novidade, descanso, informação?
Televisão: um eletrodoméstico que não deve ser usado como muleta
A palavra televisão tem o seu significado como visão à distância, uma forma de incorporar imagens distantes, encurtar o mundo e as novidades; de repente tudo é mostrado em tempo real, das mais loucas fantasias aos acontecimentos mais sérios e até banais. A televisão empresta sentido para o combate a solidão, ao isolamento das pessoas e a busca de novidades, desde o folclórico namoro na TV até os concursos de calouros. Pela própria cultura dos meios de comunicação, a TV vem em primeiro lugar na preferência das pessoas; depois vem o rádio e finalmente o jornal impresso. Para a prática da leitura é preciso concentração, pesquisa, reflexão; já com o rádio e a televisão as pessoas assistem até de costas, seja no Oriente, Ocidente ou no fim do mundo. Pensar é um gesto nobre, e a leitura conduz ao exercício do pensamento, da mudança de opinião. A televisão não deve ser usada como penico pela população, deixando as imagens apenas como formalidade de ver, olhar, sentir, ouvir, sem refletir, jogando no inconsciente coletivo tudo que é imposto por um sistema. As grandes emissoras deveriam ter um compromisso formal de criar sistemas, ajudar na educação, embora lugar de estudar seja na escola formal. A internet vem buscando o seu espaço e deixando a programação televisiva em segundo plano; os programas de humor mexem com a inteligência do telespectador, sem graça, enredo, com muita baixaria explícita. O veículo mais popular do mundo está sendo mal usado pela população; mas quem estaria interessado com a educação do povo?
Aprender, refletir, formar um juízo de valor e descobrir um meio saudável de passar bons momentos diante do tubo catódico, que no dia 29 de novembro começa a ser usado e invadido pelo formato digital. Onde estaria a programação ideal para jovens, adultos, crianças e idosos? Estaria a TV condenada ao esquecimento nos grandes centros? Ou como diria a música do passado no Riacho do Navio, “o bom seria viver sem rádio e sem notícia das terras civilizadas”? Pensar e repensar, olhar decifrar as imagens que assaltam nossos olhos e cérebros são compromissos para a geração moderna e muito bem informada. Nem tudo que circula no vídeo deve ser seguido, admirado, valorizado nas entrelinhas. Um dia as crianças crescem e se tornam críticas, sabendo peneirar o que circula pelas ondas da TV. O eletrodoméstico mais popular da civilização atuante merece mais apuro verbal e visibilidade, pois entrar na casa das pessoas é um compromisso sério, arriscado, com muita responsabilidade social. Usar a janela mundial da televisão deve ser um gesto e compromisso, embora as pessoas não questionem o que lhes são oferecidos pela grade televisiva. A diversão é tão importante quanto a boa informação, sabendo separar o joio do trigo no grande inventário das notícias e variedades. Nem no tempo da ditadura militar haveria espaço para a devida observação dos enredos e cenários usados pela mídia dos sons e imagens. A novidade local é vital, pois o que é importante para o Rio de Janeiro talvez não tenha a mínima importância para as cidades de Goiânia, Rio Verde ou Coelho Neto. Baseado nas opções de TV paga, antenas parabólicas, sistemas digitais e outras formas de transmissão, o telespectador faz a sua democracia. Eu assisto pouco à programação televisiva porque discordo da temática de novelas, humorísticos, montagens e regravações. Prefiro entrar na internet ou buscar um bom filme ou documentário no meu DVD. A missão televisiva deve ser repensada, de outra forma as crianças cresceram sem senso crítico ou opinião própria. Mas quem estaria interessada na boa educação e diversão saudável da população? Será que somente a tragédia e mal humor dão audiência? Deixo os pontos de reflexão para leitor e potencial telespectador.
A TV, assim como uma faca, pode ser usada para o bem ou mal; e que Deus nos ilumine a selecionar o repertório. Será que nossa janela está limpa hoje ou estou apenas olhando para ela de outra forma?
(José Carlos Vieira, escritor, jornalista do Jornal Folha da Cidade, Rio Verde, E-mail [email protected])