O inesperado regresso de Luiz Flávio Pereira ao oriente eterno
Redação DM
Publicado em 15 de outubro de 2015 às 00:30 | Atualizado há 11 anosA primavera não tardaria a chegar para florescer e perfumar os campos verdejantes e os floridos jardins da histórica, bela, encantadora e hospitaleira Araguari incrustada às margens do Rio Jordão ao norte do Triângulo Mineiro, no vizinho e rico Estado das Minas Gerais. E naquele dia quando o astro rei já havia se escondido no poente, exatamente às 19:30 horas do dia 7 de julho de 1962, jubiloso e feliz o lar humilde e venturoso do lavrador e leiteiro José Pereira Pinto Filho, conhecido por Bebé, e de sua formosa esposa Geni Carrijo Pereira, abriu os braços do coração para brindar a chegada e acolher ternamente seu primeiro filho varão.
Ao silenciar as badaladas do sino da Igreja Matriz, que anunciaram a hora do Ângelus e a chegada de um novo anoitecer, aportava ao mundo físico nascendo no Hospital Santa Catarina um lindo e robusto garoto que recebeu na pia batismal e no cartório de registro civil o nome de Luiz Flávio Pereira. Aquele garoto que veio a lume trazendo em sua bagagem um enorme desejo de amar e servir estava também vocacionado a “crescer em estatura, em sabedoria e em graça diante de Deus e dos homens”. Da união matrimonial do casal campesino que viera da fazenda Jordão para que ele pudesse nascer na cidade, além de sua irmã mais velha Maria de Fátima, ainda adveio o nascimento de Márcia Helena, Marcos José e Meire Irene hoje todos maiores e casados.
A sua, vaticinavam os anjos haveria de ser, como efetivamente foi, uma árdua, difícil, mais brilhante e extremamente abençoada trajetória de vida por ele percorrida com passos estugados e firmes. O peregrino que chegava à nossa nave planetária com o indelegável compromisso reencarnatório de progredir e avançar na direção da luz passaria pela vida física urdindo o bem e esparzindo amor e luz como um abnegado benfeitor da humanidade. Estudioso e aplicado concluiu, com raro brilhantismo os estudos preliminares no Colégio Izolina Soares Torres de sua terra natal e em Corumbaíba, onde estudou por dois anos. Algum tempo depois alimentando o superior objetivo de crescer e avançar sempre em busca das luzes do saber e do conhecimento ele deixa o berço materno, demanda outras plagas e vem residir no Sudoeste de Goiás na portentosa e hospitaleira Jataí que ele próprio escolheu para amar e servir.
Algum tempo depois conheceu sua linda e amorável Gissânia Inácia de Assis, de quem se enamorou e com quem veio contrair núpcias em 15 de dezembro de 1990, quando ela decidiu acrescentar ao seu nome o apelido de família do marido, passando a chamar-se Gissânia Inácia de Assis Pereira. Desta fraterna e harmoniosa união conjugal adveio o nascimento das filhas Camila Assis Pereira, preste a bacharelar-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Pontifícia Universidade Católica de Goiás, e Amanda Assis Pereira, que cursa Relações Internacionais em Brasília, ainda a Capital da Esperança.
E ali na sua doce e querida cidade apiária Luiz Flávio encontrou seguro e remansoso abrigo financeiro trabalhando por muito tempo na agência local do Banco do Brasil, antes de migrar-se por concurso e por merecimento para a Secretaria Estadual da Fazenda. Apaixonado pelo esporte das multidões e arraigado torcedor do Botafogo do Rio de Janeiro, aquele hábil desportista, ainda extremamente jovem, corpo esbelto, músculos ágeis era sempre encontrado entre os seus melhores amigos nas quadras e campos de futebol de Jataí. Habilidoso e perspicaz, fez do esporte, sobretudo do futebol que ele amava jogar, uma poderosa ferramenta para forjar e cultivar belas, sinceras e profundas amizades. Sábio e inteligente laborou sempre, com eficácia e raríssima competência na gostosa companhia do dileto e inseparável amigo José Carlos, eterno presidente da AABB e hoje secretário de Esporte e Lazer da Prefeitura Municipal de Jataí.
Ao lado do amigo predileto e com o concurso de outros colaboradores junto transformaram a AABB – Associação Atlética Banco do Brasil, que projetou Jataí além-fronteiras do Estado, em um dos mais belos cartões-postais da cidade abelha. Enquanto vice-presidente de esportes daquela respeitável entidade foi ele o grande responsável por organizar, promover e dirigir em companhia de seus pares todas as competições esportivas levadas a efeito pela notável e laureada Associação Esportiva.
Homem livre e de bons costumes iniciou-se na sublime e poderosa Ordem Maçônica Universal em 23 de abril de 1994 e, sob o pálio generoso do Grande Arquiteto do Universo e por decisão democrática de seus irmãos de fraternidade, chegou ao honroso patamar de venerável mestre da Augusta e respeitável Loja Maçônica 28 de Julho do Oriente de Jataí. Audacioso e obstinado, ávido por ampliar as fronteiras de seu horizonte cultural graduou-se em administração de empresas em 1992 e bacharelou-se em Direito em 2003. A família venturosa que pelo esforço pessoal e com as lágrimas do próprio sacrifício, por graça da sublime Misericórdia Divina forjou, com serena coragem, e com quem vivenciou longo tempo em ambiente relacional de harmoniosa e fraterna convivência foi sempre o maior objeto de suas preocupações.
Findo o prazo de seu estágio temporal na face escura do planeta formoso, na manhã bela e ensolarada de 6 de outubro de 2015, quando a brisa suave ainda confirmava e proclamava a presença da primavera em Jataí, ele aceita ao misericordioso convite da Espiritualidade Superior, deixa o convívio dos seus e por merecimento retorna ao País da luz e vai habitar uma das muitas moradas da Casa do Pai. Vitimado por um trágico e inesperado acidente de bicicleta e precocemente aos olhos humanos, ele deixa o corpo físico para alçar voos mais altos nas asas do amor e da sabedoria, regressando com serenidade e equilíbrio ao Reino da Eternidade. O seu, diz em palavras não articuladas a voz silenciosa da intuição foi um lindo, misericordioso e muito bem urdido processo desencarnatório. Ninguém deixa o ergástulo carnal da forma como ele deixou através do nem sempre aceito e compreendido processo de disjunção molecular se não tiver merecimento.
Amorável, fraterno e generoso sem fanatismo religioso e sem ostentação vazia cultivando, todavia uma fé inquebrantável em Deus, em si mesmo e nos destinos da humanidade, agraciado pela Divina Providência ele fez por merecer a bênção de poder deixar a indumentária física de forma indolor, sem ódio, sem mágoa e sem rancor. Às suas exéquias compareceu reverentes e consternados além dos familiares uma imensa legião de amigos representando seus companheiros de pedaladas, os parceiros da AABB, os colegas de trabalho da Secretaria, os ex-colegas da Universidade e os venerandos irmãos de Maçonaria, todos vibrando em uma mesma sintonia de amor, de paz e harmonia. Reverentes e consternados em sincera demonstração de apreço, carinho e profunda amizade centenas de jataienses de todos os credos compareceram ao seu concorrido velório para homenageá-lo com manifestações de pesar por seu inesperado passamento, preces, orações, vibrações positivas, honrarias maçônicas e 38 perfumadas coroas de flores.
Endereçamos à sua mãe, dona Geni e ao seu José, já na pátria espiritual, aos seus irmãos, à sua cunhada e aos seus cunhados, ao sogro Jesus Inácio e à sogra Odete, às filhas Camila e Amanda e particularmente à sua amada Gissânia, a quem ele chamava carinhosamente de Neguinha, as nossas mais sinceras homenagens, estratificadas em puras e sublimes vibrações de amor e de luz, na esperança de que o nosso ilustre homenageado já esteja nos braços acolhedores de Jesus. E nesta homenagem derradeira ouso plagiar o imortal poeta pátrio Antônio de Castro Alves para saudar reverente, fraterna e carinhosamente o estiado sobrinho Luiz Flávio Pereira: “Vai guerreiro, rompe os ares, os céus, os mares, Deus ao chão não te amarrou.”
(Irani Inácio de Lima, presidente da Associação Jurídico Espírita de Goiás)