Vendas do comércio caem 6,9% em agosto, pior em 12 anos
Redação DM
Publicado em 14 de outubro de 2015 às 07:13 | Atualizado há 11 anosRIO – As vendas do comércio caíram 0,9% no país em agosto, frente ao mês de julho. Na comparação com agosto de 2014, a queda é de 6,9%. Os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) foram divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE. O recuo de 6,9% é o mais alto na comparação anual desde março de 2003, quando foi de 11,4%. É também a pior taxa para o mês de agosto de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2000.
O resultado veio pior que o esperado pelo mercado. Economistas ouvidos pela Bloomberg News esperavam uma taxa média de queda de 0,6% na comparação com julho e de 5,7% frente a agosto de 2014. Apenas em 2015, a queda acumulada do varejo é de 3%. Quando se considera os doze meses encerrados em agosto, o recuo é de 1,5%.
O varejo apresenta taxas negativas desde o mês de fevereiro se considerada a série histórica com ajuste sazonal, ou seja, frente ao mês anterior, ou seja, são sete meses seguidos. Entre fevereiro e agosto, a queda acumulada das vendas chega a 6,4%. Quando se compara com igual mês do ano anterior, a queda se dá desde o mês de abril, por cinco meses consecutivos.
O comércio sente as consequências das incertezas da economia, do aumento da taxa de desemprego no país e da renda menor. Nesse cenário, a confiança do consumidor é reduzida e ele adia compras.
SUPERMERCADOS PUXAM QUEDA
O principal impacto negativo nas vendas do varejo foi o desempenho do setor de supermercados e hipermercados. Nesse segmento, a queda foi de 5% em agosto, frente a agosto de 2014. Foi a sétima queda seguida nesta base de comparação. Segundo o IBGE, isso é resultado da queda da renda e da alta do preço de alimentos mais intensa que a da inflação geral.
Já móveis e eletrodomésticos foram responsáveis pela segunda maior influência negativa, com recuo de 18,6%. Esse indicador cai há nove meses seguidos. No ano, a queda é de 12,4%, enquanto nos últimos 12 meses o recuo é de 8,2%.
Sete dos oito meses segmentos do varejo caíram em agosto, frente a agosto de 2014. Além de supermercados e móveis e eletrodomésticos, registraram taxas negativas os segmentos de combustíveis e lubrificantes, tecidos, vestuários e calçados, equipamento e material para escritório e informática, livros, jornais e revistas e outros artigos de uso pessoal e doméstico.
Seis dois oito segmentos do varejo pesquisados pelo IBGE tiveram queda em agosto, na comparação com julho. A pior taxa foi de veículos, motos, partes e peças, com recuo de 5,2%, seguida por livros, jornais, revistas e papelaria (-2,6%), material de construção (-2,3%), móveis e eletrodomésticos (-2%), tecidos, vestuário e calçados (-1,7%), combustíveis e lubrificantes (-1,3%), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,1%).