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Cacau Cotta: ‘Ingresso tem que se basear no mínimo’

Redação DM

Publicado em 14 de outubro de 2015 às 04:06 | Atualizado há 11 anos

Luís Claudio Cotta, 44 anos, funcionário do Tribunal de Contas do Município e ex-vice-presidente social da gestão Patrícia Amorim, é um dos três candidatos à presidência do Flamengo, em eleição que será realizada em 7 de dezembro e o primeiro a ser entrevistado pelo GLOBO.

O GLOBO: Conte um pouco da sua trajetória no clube.

CACAU COTTA: Meu primeiro cargo foi como diretor social do Fla-Gávea. Depois passei para vice-presidente do Fla-Gávea e, no segundo ano, assumi a vice-presidência de administração. Por isso que falo que muitos contratos importantes passaram por mim. Tanto de jogadores como os de TV, da Adidas, com a seleção holandesa, com o comitê olímpico americano.

Não é pouca experiência para chegar à presidência?

Depende, os meus adversários estão concorrendo sem passar por cargo nenhum do clube. Acho que é muito. Acho até que deveria existir esse ítem para que a pessoa passasse no mínimo cinco anos como conselheiro e alguma vice-presidência, o que nenhum dos dois passaram. Inclusive um foi impugnado por falta de vida associativa e o outro candidato tinha pouca frequência nas reuinões do conselho. Eu tenho muito mais experiência do que os outros dois.

Considera o Wallim é elegível?

Eu acho que se valeu para uma eleição, tem que valer para a outra. Não é uma questão de interpretação, é uma questão estatutária. Se ele não teve tempo para a outra eleição, ele não vai ter tempo para esta. Agora, é uma questão do conselho de administração do Flamengo e da comissão eleitoral. Eu não estou aqui para julgar.

A atual gestão é melhor do que a da Patrícia?

No automarketing, foi a melhor disparada de todas. Nas conquistas, uma catástrofe. O meuseu não saiu do papel, o estádio próprio não tem nem uma ideia do que vai ser, a Gávea, CT, Morro da Viúva, casa de São Conrado abandonadas, o esporte olímpicol, à exceção do basquete, abandonado. O automarketing foi marvilhoso, mas as conquistas necessárias para fazer o Flamengo grandioso… Um sócio-torcedor com apenas 70 mil onde você limita o acesso por boleto bancário é uma catástrofe. Na gestão anterior, houve erros e acertos. O Flamengo tirou o CT do papel, o Morro da Viúva foi negociado para virar hotel. A empresa faliu e foi abandonado. O Flamengo deveria ter entrado com uma ação para pegar seu patrimônio de volta. Vale uns R$ 500 milhões, poderia ser trocado por um terreno no Porto Maravilha para fazermos um estádio. A Prefeitura ajudou os outros clubes com terreno para CT, poderia ajudar o Flamengo com terreno para estádio. Passaram por mim os grandes contratos da gestão passada: o da TV, da Adidas. Houve erro? Houve. Não era uma gestão mal intencionada, mas era desorganizada. Na área patrimonial e administrativa onde eu tive participação ativa, o Flamengo tirou depois de 30 anos o CT do papel. Hoje existe condições mínimas para que o Flamengo possa treinar. E a obra do CT profissional deixamos 60, 70% pronta, nos últimos três anos, não aconteceu mais nada. Virou um grande matagal. Na Gávea houve uma reforma de todos os espaços. Todo mundo lembra que foi uma Gávea antes e depois.

Por que você se “descolou” da Patrícia?

A Patrícia deu declarações nesses três anos que não queria participar do processo político, queria cuidar dos filhos. Eu ao longo desses três anos fiz exatamente o contrário. Passei a liderar um grupo de oposição no conselho deliberativo e votar com o governo no que eu achava que era bom para o Flamengo e contra no que eu achava que era ruim e lesivo paara o Flamengo. Comecei a ir para um debate frequente dentro do Flamengo a respeito dessas situações. Ter o apoio da Patrícia seria uma honra, mas eu respeito o momento dela. O descolamento é natural. Como o filho cresce, se desenvolve e vai construir uma família, nenhum apadrinhado… Toda vez que me colocam como candidato, eu sou candidato de vários grupos de oposição que me escolheram, não sou mais um ex-vice-presidente da Patrícia. O Wallim é o ex-vice do Bandeira? O Bandeira é o ex-escolhido do Wallim e do Bap? O Cacau é o Cacau. O momento político fez com que eu ganhasse minha personalidade própria dentro do clube.

Você tem feito críticas à atual gestão da dívida.

Não digo se é bom ou ruim, mas quero ver, quero abrir. É uma caixa-preta. O Flamengo trocou dívida pública por privada. As certidões negativas (CND) são o maior ganho dessa gestão, mas isso é muito pouco. Não é o que faz o clube crescer. Ídolos e títulos é que fazem o clube ser grande, arrecadar. Austeridade financeira é obrigação, o Flamengo tem que virar a página, está se apequenando. Os coirmãos estão passando por cima com títulos. O Flamengo é grande por ganhar título, por ter ídolo, porque vimos o Zico, Silva Batuta ou o Dionísio jogarem. Você tem um grande ídolo em algum momento: Leandro, Adílio, Pet, Adriano, Bruno… Os garotos da Zona Sul já estão torcendo por Real Madrid e Barcelona, vestindo essas camisas. É o segundo time. Se o Flamengo se apequenar, vão passar a ser o primeiro time. O Corinthians passou a torcida do Vasco no Nordeste, vem ganhando títulos. Aí eu falo de planejamento. Corinthians teve o Tite e voltou com o Tite, ganhou tudo. Eu quero uma rubrica de 2013 com assinatura de alguém dizendo que o Flamengo tinha uma divida de R$ 750 milhoes. Se fizer, eu rasgo minha carteira de sócio-proprietário e deixo de ser candidato. Parte deste valor era, na verdade, uma provisão de R$ 170 milhões e que, depois, foi retirada. Para mostrar que a dívida diminuiu, tiraram uma dívida com o Banco Central, que existe. E já saiu um estudo dizendo que a atual dívida está em R$ 650 milhões.

Como faz para ter um ídolo?

Você tem que revelar. O Flamengo terminou com mirim e pré-mirim, que é quando começa a revelar os meninos para os profissionais. Tá aí Renato Augusto, Elias, que a gente deixou de contratar, poderia ser um ídolo, e não estamos planejando nada. Tirando o basquete que foi planejado lá em 2005 e todos os presidente deram continuidade, o resto do Flamengo não tem planejamento nenhum. Virou um centro de recuperação de atletas. Carlos Eduardo, Armero, Ederson, vieram pro Flamengo para se recuperar. Isso é planejamento? Seis técnicos em dois anos.

Você defende uma política agressiva para contratar reforços? Como não comprometer as finanças e a redução de dividas?

Pelo Marcelo Cirino, por exemplo, o Flamengo tem que pagar R$13 milhões se não vender. Ele é reserva do reserva, nem joga. Flamengo o contratou como grande craque. É o mau investimento do futebol. Pega recursos e investe mal. O Flamengo tem a segunda maior folha do futebol brasileiro e em que posição está no Campeoanto Brasileiro há tres anos? A folha é de R$ 10 milhões. Taí o Guerrero, que vai custar R$ 42 milhões em três anos e o Flamengo não vai vender. Se tivesse mercado, não teria vindo para o Flamengo. Iria para a Europa. É um jogador que não vem dizendo a que veio. E por aí vai. Sem falar em Bruninho, Carlos Eduardo. Poderia ter terminado o CT com este dinheiro. O Falmengo não é local de reabilitação de jogador. Está há dois anos parado? Fica aí. O jogador tem que estar no auge para jogar no Flamengo.

Mas Guerrero não é um jogador no auge?

Sim, mas ele não era o jogador que o Flamengo precisava. O Flamengo tinha outro jogador mais barato para a posição e fazendo gol. Mais de um: o Hernane, que a gente não recebeu dinheiro até hoje, e o Alecsandro.

Como impulsionar o Sócio-Torcedor?

Precisa ser agressivo. Como o clube mais popular tem um projeto que obriga a ter cartão de crédito? Só isso segrega quantos por cento da torcida? Tem que haver um plano mais popular. É possível ficar entre R$ 10 e R$ 15 para chegar aos 500 mil sócios. O Flamengo tem patrocínio da Caixa Econômica Federal, presente em cada canto do país e com casas lotéricas filiadas. Por que não usar isso para vender o sócio-torcedor?

A gestão de que você participou nem sequer implantou o projeto.

Ela (Patrícia) assinou o contrato, mas 2012 foi um ano ruim no futebol e não colocou em prática. Eu considero um erro, poderia ser lançado em 2011, quando o Flamengo foi campeão carioca invicto e depois foi à Libertadores. Aí você perde o timing de lançamento do projeto.

Qual a sua ideia de política de ingressos?

Ter um preço mais popular. Tem que se basear no salário mínimo. Não pode ser 10% do salário mínimo. Você não vê mais o trem chegar cheio no Maracanã.

Como fazer isso com os custos do Maracanã?

Renegociando o contrato. O Maracanã tem que voltar a ser um estádio padrão carioca, deixando de ser padrão Fifa. Na Norte e Sul, tira as cadeiras. E a Leste, que fica vazia, diminui. Aumenta a capacidade do estádio e cria áreas populares.

Qual o seu projeto para ter um estádio?

Já tenho uma empresa para ampliar o estádio da Gávea para 18, 20 mil pessoas. E esta empresa exploraria comercialmente o estádio. Mas a gestão seria do Flamengo. Em paralelo, há outros dois projetos. O primeiro é conversar com o Maracanã e renegociar. Caso contrário, há o projeto do Porto Maravilha ou de um estádio na Baixada.

Como vai ser a política do flamengo na Federação?

Eu vou pra dentro discutir. Se o Eurico Miranda gritar, eu vou gritar mais do que ele. Se ele botar o dedo na minha cara, eu vou botar o dedo na cara dele.

E se constatar que Federação, Vasco e clubes pequenos formam um bloco impossível de derrotar?

Vou dar um jeito de articular para acabar com isso. Flamengo é flamengo. Quem é maior, Flamengo ou Vasco? Flaemngo é instituicao que precisa se fazer representar. Nao pode mandar para a reuniao da federacao uma pessoa que nao sabe nada de futebol, que é o que vem acontecendo.

Qual é sua opinao sobre o rubens lopes?

Como pessoa?

Como dirigente

É um dirigente que assumiu em um momento dificil, tenta se articular ali e ainda nao encontrou a melhor formula par ao campeonato cairioca. nao vou julgar como pessoa.

Você é a favor de uma liga nacional de clubes?

A liga tem que ser muito discutida, mas não sou contra.

Uma das propostas é rever as cotas de TV, hoje favoráveis a Flamengo e Corinthians…

Quanto às cotas, estou do lado de cá. Matar e morrer para defender o Flamengo.

Um ex-dirigente da gestão atual acusou você de agressão…

Este mesmo dirigente responde a processo por falsificar uma publicação jornalística…

É mentira o episódio? Você afirma que não o agrediu?

Nada foi provado. Discussão normal de futebol.

Houve outra acusação de que você e Michel Levy, ex-vice de finanças, teriam ameaçado agredir torcedores de um camarote no Engenhão.

Esse eu não participei e nem houve processo contra mim. O atual presidente e o filho também se envolveram em questões assim. O presidente discutiu com um senhor mas teve equilíbrio, não agrediu. Futebol tem emoção e onde há emoção, acontecem discussões. Mas sou contra agressão. Mas para ser presidente do Flamengo tem que ser polêmico. Se não for, algo está errado. Futebol não é convento de freiras. Você não vai para as entidades e achar que todos os outros presidentes estão ali para ajudar o Flamengo. Tem que estar preparado para representar o Flamengo, defender o clube e ter pulso forte.

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