Falta de clareza na política agrava recessão, diz diretor do FMI
Redação DM
Publicado em 14 de outubro de 2015 às 02:51 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO – A solução da questão política é o caminho para a melhora na economia brasileira. Essa foi a conclusão do debate “Os desafios na recessão”, realizado nesta quarta-feira em São Paulo, que reuniu economistas e empresários. O diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Otaviano Canuto, disse que a falta de clareza sobre os rumos políticos do país faz com que a recessão se agrave. Isso porque, não há ambiente para a aprovação das medidas necessárias de ajuste fiscal.
– Sou um otimista. Quero crer que em dois ou três meses nós teremos clareza se vai ou não acontecer o processo de impeachment (da presidente Dilma Rousseff). Definindo isso, os apoios vão se aglutinando e a economia pode entrar nos eixos – disse Canuto.
Segundo ele, o aumento da carga tributária é uma das saídas para melhorar o desempenho econômico do país no curto prazo.
– E preciso aceitar o aumento da carga tributária ou vamos ver a deterioração fiscal. Não me parece ter uma alternativa menos ruim do que a CPMF. Precisamos ter clareza das medidas e dos resultados para a sociedade aceitar isso. Hoje, falta essa clareza por conta da crise política – afirmou o diretor do FMI.
Outro que acredita que a questão política é mais grave que a econômica, é o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn. Segundo ele, resolver a questão interna é o desafio para a equipe econômica.
– O núcleo do problema é a incapacidade política de se aprovar as medidas fiscais necessárias. Isso precisa ser resolvido. Há propostas que precisam ser discutidas.
Goldfajn disse que, apesar de não ser a favor da volta da CPMF, não há alternativa para aumentar a arrecadação no curto prazo.
– Não é um imposto bom. Mas, qual a alternativa? O melhor seria uma reforma da previdência, com o aumento da idade mínima para aposentadoria. Mas, nunca vi essa discussão ser fácil. Mesmo com o imposto ruim, vamos ter um benefício que é a melhora da confiança. Escolhas, como a CPMF, podem ser ruins, mas a não escolha é o pior.
O economista Mansueto Almeida também disse que a volta da CPMF é a alternativa “menos pior” no momento atual. Mas, para se aprovar medidas impopulares, é preciso uma melhora política.
-Ainda há muito mito em torno da CPMF, mas é o menos pior. É preciso cortar subsídios e aumentar impostos. Entretanto, é preciso se ter clareza do contexto político para resolver essa situação – disse Almeida.