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Trindade se prepara para enfrentar o avanço do vírus tipo 4

Redação DM

Publicado em 13 de outubro de 2015 às 22:57 | Atualizado há 11 anos

Da assessoria

A palavra dengue tem origem espanhola e quer dizer “melindre”, “manha”. O nome faz referência ao estado de moleza e prostração em que fica a pessoa contaminada. Os setores de saúde já se mobilizam para enfrentar o avanço do vírus (Dengue 4) e o pico da doença que acontece a partir do período chuvoso. Procurando diminuir o grande índice de usuários de 2015, que superlotou o Hospital de Urgência de Trindade (Hutrin), desconfigurando totalmente o planejamento de atendimento da unidade, técnicos do Hutrin promoveram uma reunião com o Ministério Público de Trindade (MP), representado pelo promotor Delson Leoni. Buscando esforços integrados, participaram várias secretarias do Governo Municipal.

Hélio Pinheiro de Andrade fez um relato da estrutura da Superintendência Epidemiológica do município. “Temos aproximadamente 62 mil imóveis para vistoriar e 70 agentes em atividade. Isto significa um prazo de 60 dias para o retorno do agente ao imóvel vistoriado. Pneus velhos são os maiores pontos de criadouros e a Prefeitura trabalha uma ação de recolhimento destas carcaças”, pontuou.

Entre os encaminhamentos, a realização de uma campanha focada no cidadão, despertando a necessidade do seu apoio na vistoria continua dos imóveis. “Sugiro que se crie uma lei municipal que puna os infratores notificados, reincidentes”, destacou Delson Leoni.

Dengue tipo 4

O avanço do vírus tipo 4 da dengue pelo Brasil é uma ameaça à saúde pública. Não pelo vírus em si, que não é mais nem menos perigoso que os tipos 1, 2 e 3, mas pela entrada em ação de mais uma variação do microorganismo.

Existem quatro tipos do vírus da dengue: O DEN-1, o DEN-2, o DEN-3 e o DEN-4. “Causam os mesmos sintomas. A diferença é que, cada vez que você pega um tipo do vírus, não pode mais ser infectado por ele. Ou seja, na vida, a pessoa só pode ter dengue quatro vezes”, explica o consultor de dengue da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ivo Castelo Branco.

“Em termos de classificação, estamos falando do mesmo tipo de vírus, com quatro variações”, explica Marcelo Litvoc, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. “Do ponto de vista clínico, são absolutamente iguais, vão gerar o mesmo quadro”, esclarece o médico.

A explicação do problema provocado pelo vírus 4 está no sistema imunológico do corpo humano. Quem já teve dengue causada por um tipo do vírus não registra um novo episódio da doença com o mesmo tipo. Ou seja, quem já teve dengue devido ao tipo 1 só pode ter novamente se ela for causada pelos tipos 2, 3 ou 4.

A possibilidade da reincidência da doença é preocupante. Caso ocorra um segundo episódio da dengue, os sintomas se manifestam com mais severidade. “Existe certa sensibilização do sistema imunológico e ele dá uma resposta exacerbada”, afirma Litvoc.

Esta reação exagerada do sistema imunológico é um problema. Pode causar inflamações e, por isso, aumenta o risco de lesões nos vasos sanguíneos, o que levaria à dengue hemorrágica. Um terceiro episódio poderia ser ainda mais grave, e um quarto seria mais perigoso que o terceiro.

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