3 em 1
Redação DM
Publicado em 13 de outubro de 2015 às 21:54 | Atualizado há 1 anoPor Rariana Pinheiro
Três artistas: Adriana Mendonça, Mário Calvacante e Vinícius Figueiredo. Três estilos: desenho, pintura e gravura. Três formas de entender e viver o mundo e as artes visuais. Por isso, não é estranho, que o nome da mostra, na qual estão reunidos estes artistas, chame-se simplesmente 3. Em cartaz para visitação, a exposição “trifacetada” segue até o dia 31 de outubro, na Vila Cultural Cora Coralina.
A mostra 3, cuja curadoria é do crítico, professor de História da Arte e da Imagem, na Faculdade de Artes Visuais (FAV) da UFG, Samuel Jose Gilbert De Jesus, foi inaugurada na última terça-feira (6). No entanto, mesmo antes de começar, houve em torno dela certo burburinho nas redes sociais, com direito a mistérios e até polêmicas.
Pensando em divulgar o evento – em um mundo cada vez mais alheio às exposições – o artista Vinícius Figueiredo criou uma identidade visual para o vento: um apropriado três vermelho. Em seguida, pediu para amigos das redes sociais espalhados por diversas parte do mundo, postarem fotos com o símbolo da exposição, aproveitando a paisagem do local onde estavam.
O artista não explicou o real motivo da iniciativa. E, seduzidos pela proposta misteriosa, as pessoas começaram a comprar a brincadeira. Houveram fotos vindas de Londres, Paris, Nova York, Cidade de Goiás, Montes Belos em Minas Gerais. E, inclusive, até alguns “nudes” apareceram para polemizar e, – como sempre – dividir opiniões nas redes sociais.

“As fotos foram denunciadas por alguns membros do Facebook, mas os administradores da rede social analisaram e entenderam que as imagens não agrediam ninguém. Assim, as manteve onde estavam. Houve de tudo: tanto gostosões, com o “três” tampando as partes íntimas, como coisas fofas, de pessoas que fizeram uma reinterpretação artística do “três”. Enfim, cada pessoa se conectou da forma como queria”, explica Vinícius, entusiasmado, já que a iniciativa de promoção da mostra deu certo, pois a exposição tem se tornado um sucesso de público.
Desenho
Da mostra o criativo Vinícius Figueiredo, que é bacharel em Artes Visuais, habilitado em artes plásticas, pela FAV e Mestre em Cultura Visual pela mesma instituição, levou

“Na exposição há momentos da minha história, lembranças familiares e da minha vida dividida entre Montes Claros (MG) e Goiânia, esta última, onde a minha carreira artística ganhou forma”, esclarece.
Vinícius Figueiredo, atualmente leciona desenho artístico e desenho técnico, no curso de Direção de Arte da UFG e possui uma estrada longa e atuante nas artes visuais. Em 10 anos de carreira, já teve sua obra exposta no acervo de museus em Portugal, Argentina, Londres, Japão entre outros. Em Goiânia também integrou diversas outras mostras individuais e coletivas.
Gravura

“Meu interesse pelas resinas começou em minha pós graduação, quando estudei com a Eliane Chaude e Anair Jorge. Elas me ajudaram desenvolver alguns trabalhos que minha mãe fez usando resina, antes de morrer. Ela criava várias peças de artesanato e eu guardei este trabalho e resolvi eternizá-las com esta série”, conta Adriana.
Formada em Artes Visuais pela UFG e Mestre em Patrimônio Cultural pela PUC-GO e em Arte e Cultura Visual pela UFG, atualmente Adriana é doutoranda do Programa de Pós- Graduação em Arte e Cultura Visual também na UFG. E, com toda sua trajetória no mundo das cores, a artista explica que sua pretensão maior é sempre dialogar e compartilhar suas emoções com público. “Quero causar aquele respiro profundo nas pessoas, neste mundo conturbado”, revela.
Pintura
Já as obras de Mário Calvacante em 3, saem um pouco deste universo pessoal e nostálgico de Vinícius Figueiredo e Adriana Mendonça. “Minhas obras estabelecem relações com a pintura dos anos 80 e com a cultura pop urbana atual”, detalha.
Para a exposição levou sete telas, pintadas em técnica mista que envolve tinta acrílica, giz pastel oleoso e posca sobre tela. Seus estilos também são diversos, e fica complicado até para o artista defini-lo.
“A pergunta sobre meu estilo é difícil (risos). Porque minha arte foi se construindo ao longo dos anos, através das minhas experiências, das referências que fui tomando conhecimento ao longo da minha vida, da própria experiência como professor e no dia-a-dia. E, atualmente estou em uma nova fase. Tem muito do que eu venho pesquisando e gostando em termos de pintura na atualidade. Acho que desejo passar uma poesia visual ao público”, tenta esclarecer o artista.
Apesar de estar construindo uma nova fase de criar, Mário tem uma longa história de pesquisa e estudo no universo dos pincéis. È graduado em Artes Visuais, bacharelado em Artes Plásticas e Mestre em Cultura Visual pela Faculdade de Artes Visuais. E hoje leciona História da arte e da imagem na Faculdade de Artes Visuais/UFG.
Mas, mesmo com grande bagagem acadêmica, Mário ainda não participou de grandes exposições fora de Goiânia – ele acredita que 3 é maior mostra que esteve.
“O interessante desta exposição é que ela nasceu com a intenção de divulgar o trabalho de artistas que não estão tão inseridos no mercado ou no sistema das artes. Na realidade ela tentar mostrar trabalhos de artistas que produzem e já tem uma carreira dentro das artes visuais, mas não circulam muito”, explica o artista.
Serviço:
Exposição 3
Onde: Vila Cultural Cora Coralina (Rua 3 esquina com AV, Tocantins, Centro)
Visitação: 07 a 31 de outubro de 2015, Terça a sábado, das 08h às 17H30