Economia

‘Não somos mais o antigo FMI’, diz diretora-gerente do Fundo

Redação DM

Publicado em 7 de outubro de 2015 às 22:12 | Atualizado há 11 anos

LIMA – Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou nesta quinta-feira que Venezuela e Brasil são exemplos de países da América Latina que estão “no terreno negativo”. Em sua primeira entrevista coletiva da reunião anual do órgão, que ocorre até domingo na capital peruana, ela disse, contudo, que cada país tem sua história e que a América Latina é um “mosaico”, lembrando que há nações que fizeram reformas e que crescem de forma mais sustentável, como Peru, Chile, Paraguai e México. Ela não acitou a Argentina, que passa por problemas fiscais, entre os países “com problemas” na região.

— A América Latina é um mosaico de diversos países. Se você olhar para Venezuela, Equador e Brasil, pode tirar certas conclusões que não se aplicam de modo algum a economias como Chile, Colômbia, México e Paraguai, entre outros — disse.

Lembrando que esta é a primeira reunião do órgão no continente em 48 anos, Lagarde disse que a fase de enfrentamentos entre o Fundo e os países ficou para trás.

— Não há mais a antiga América Latina e não somos mais o antigo FMI — disse Lagarde, quando questionada sobre o órgão ter sido, no passado, comparado ao “demônio”. — Os países da região são mais sólidos, fizeram grandes progressos econômicos, financeiros e sociais.

Lagarde disse que há muitas transições ocorrendo na economia mundial é que os países precisam se unir para enfrentar desafios que se relacionam, como redução do crescimento econômico global, crise dos refugiados e a necessidade de enfrentar as mudanças climáticas, entre outros.

— Nenhum país poderá encontrar as soluções sozinho. Precisamos de cooperação internacional como nunca na História — afirmou

A diretora do FMI afirmou que os grandes desafios econômicos a serem enfrentados são a desaceleração da China, uma eminente elevação dos juros nos Estados Unidos e a chegada de um ciclo grande de preços baixos de commodities (produtos básicos com cotação global, como soja, minério de ferro e petróleo). Ela lembrou ainda que os países precisam enfrentar o alto endividamento de algumas empresas, em especial quando contraídos em moedas estrangeiras.

Lagarde deixou aberta a possibilidade de continuar mais um mandato à frente do FMI. Sua gestão acaba em julho de 2016 e seu nome tem sido citado como uma das opções para a disputa da presidência francesa, prevista para ocorrer no primeiro semestre de 2017. Questionada sobre o assunto, ela foi evasiva:

— Essa pode ser minha última reunião anual, mas pode não ser. Essa não é uma decisão minha, é uma decisão dos países membros — disse.

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