Desonestidade galopante
Redação DM
Publicado em 7 de outubro de 2015 às 21:36 | Atualizado há 11 anosPara o incômodo de muita gente, à maneira de muitos aqui no DM eu escrevo como quero e para ninguém em especial. Como resultado, durmo tranquilo sem dever pro dia seguinte qualquer ação que permaneça reprimida no pensamento ou no coração.
Em outras palavras, sou um sujeito livre que dá alimento às ideias estejam elas aonde for. Em contrapartida, são elas que me dão asas. Daí o cotovelo inchado de muitos aprisionados pelas aparências que ainda assim insistem em ler meus escritos, nem que seja discordando de antemão.
Por este tipo de postura se tratar de algo muito pouco praticado nos meios públicos e sociais, daí vem, também, o fato de muitos poucos conseguirem me acompanhar nas evoluções do pensamento e entender o real significado do meus posicionamentos (a este respeito, aprendi com o jornalista Batista Custódio que só não muda de opinião aquele que mentalmente já morreu).
Alguns destes tipos de leitores servis chegam a dizer que sou pago por deputados, senadores e até mesmo pelo governador. Basta eu fazer algum elogio. Mas isso só dura quando lhes cai em mãos algum comentário meu a respeito destes senhores que não condiziria a um assalariado.
Outros querem guiar minhas colocações alegando que muito embora eu possua o desprendimento necessário para alegar independência às minhas opiniões, na verdade eu estaria protegendo biografias zelando somente pelo que é positivo.
Nem tanto lá ou cá, o fato é que continuo sendo o mesmo. Um otimista da condição humana a longo prazo. Porém, por motivos aqui declarados, um descrente do mundo que nos rodeia.
Minha única certeza é que continuo, no fio dos escritos, sendo eu mesmo. E olhe que já se vão muitas primaveras que o mundo gira e roda e eu não falto ao encontro comigo mesmo novamente a cada passar da espiral que nos ascende a um novo ciclo do tempo. Em poucas palavras, impressas, não falto ao encontro a cada artigo publicado linha a linha aqui neste jornal.
É por isso que não ligo a luz vermelha se ultimamente tentam me alvejar no lume das redes sociais, território propício aos que não se assumem. Um dos exemplos veio para dizer que eu só vou ter razão das fraquezas que denuncio neste governo estadual, por exemplo, depois de crucificar com minhas próprias estacas o responsável por tudo isso, que seria o governador ele mesmo.
Acontece que, mais que a desinformação, é a desonestidade intelectual que impera em nosso meio, fazendo com que as pessoas que lhes são adeptas só tenham olhos para reconhcer o que lhes interessa, muito embora estejam vendo tudo. Agem, no racional, seletivamente. E consigo mesmas, agem covardemente.
Entre nós ainda impera aquele tipo de gente para quem governo bom é governo que lhes pagam de uma forma ou de outra, por isso são incapazes de entender a independência de outros comportamentos.
E há aqueles que, se julgando conhecedores da gestão pública, seja por praticá-la por meio de outros partidos, seja por meio do sempre estar do contra, querem, contudo, ir ao ataque com as armas de terceiros, com o receio covarde de serem pegos com pedras nas mãos.
A estes e a todos os tipos desonestos consigo mesmo ou dissimulados a não mais poder se encontrar, meus sinceros pêsames e a pá de cal da indiferença. Pois eis que a parte viva se renova sempre, constantemente, mesmo em suas contradições, que são frutos da complexidade na qual o contemporâneo nos faz imergir, sempre válidas desde que verdadeiras.
(Px Silveira. Instituto Arte Cidadania)