Eletronuclear suspende contratos de obras em Angra 3
Redação DM
Publicado em 29 de setembro de 2015 às 04:25 | Atualizado há 11 anosRIO – A Eletronuclear suspendeu, a partir desta terça-feira, todos os contratos relativos às obras da usina nuclear de Angra 3 pelo prazo de 90 dias. A informação foi passada hoje pelo novo presidente da estatal. Pedro Figueiredo, que assumiu o cargo ontem, explicou que a suspensão dos contratos será acompanhada de uma investigação minuciosa que será feita por empresa de consultoria que ainda será contratada. As obras de Angra 3 são investigadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava-Jato.
O novo presidente informou que os contratos também já passam por uma investigação interna, que é feita pela empresa de auditoria Hogan Lovells: Global Lawyers, já contratada pela holdind Eletrobras.
— Suspendemos os contratos para se ter um apanhado geral de toda situação, para verificarmos todas as condições. Não poderíamos continuar sem reavaliar todos os contratos e as fontes de financiamentos, diante de todas essas dúvidas que passaram a pairar em função da Operação lava-jato — afirmou Pedro Figueiredo.
As contratações para as obras de Angra 3 são alvo também investigações da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Desde julho, foi preso pela PF o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, suspeito de ter recebido R$ 4,5 milhões de propina em contratos com a Andrade Gutierrez e a Engevix, de acordo com as informações da PF.
Com a nova paralisação nas obras, a entrada em operação comercial de Angra 3 vai atrasar em um ano. Segundo Pedro Figueiredo o objetivo agora é tentar concluir as obras no fim de 2018 e iniciar sua operação comercial em 2019.
Na última segunda-feira o Conselho de Administração da Eletronuclear elegeu o engenheiro eletricista Pedro Figueiredo para ocupar a presidência da estatal no lugar de Othon Luiz. Figueiredo é funcionário de carreira do grupo Eletrobras agora e era diretor de Operações. Ele participou do início do funcionamento da usina de Angra 1 em 1982.
A decisão de suspender os contratos das obras da usina toi tomada também durante reunião do Conselho de Administração da Eletronuclear. A medida implicará na interrupção temporária dos acordos com a construtora Andrade Gutierrez, responsável pela execução das obras civis. Procurada, a construtora informou que não comentaria o assunto. No início de setembro a Eletronuclear já tinha suspendido o contrato com o consórcio Angramon, responsável pelas obras da montatem eletromecânica da usina. Em agosto tinham saído do Angramon as empresas odebrecht, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Participam ainda do consórcio Angramon a UTC, Andrade Gutierrez, Empresa Brasileira de Engenharia (EBE) e a Techint. A maioria das empresas estão envolvidas no caso da operação lava-jato.