Chocolat
Redação DM
Publicado em 25 de setembro de 2015 às 22:56 | Atualizado há 1 anoPor: Lília Azevedo
O vilarejo francês de Lansquenet-sous-Tannes, à beira do rio que lhe dá nome, uma pequena comunidade de no máximo duzentos mil habitantes. Uma rua principal, com fileiras de casas de madeira e alvenaria, todas da mesma cor discreta; uma igreja, uma praça; fazendas espalhadas ao redor, com pomares, vinhedos, cada espaço preenchido harmoniosamente com melões, maçãs, kiwis.
É carnaval e a pequena cidade está colorida e alegre. O desfile dos carros enfeitados toma a rua principal, espalhando papel crepom e confetes, recriado cenas de contos de fadas, com perucas de lã, casas de cartolina, fantasias de celofane que dão vida a princesas, sereias, bruxas. Crianças brincam e comem doces. Adorável, não?
Para Vianne e sua filha Anouk este será seu novo lar, pelo menos por um tempo. Os habitantes da cidade, todos muitos discretos disfarçam sua curiosidade a respeito das forasteiras, elas são como um lembrete de um mundo além das fronteiras, uma amostra incomum, tal qual o carnaval. A observação é polida e discreta, mas inquisidora. Elas são diferentes, as roupas são coloridas, os cabelos soltos, os rostos vermelhos. As cores contrastam com a população local, assim como o próprio brilho do lugar contrasta com seus habitantes.
Para desgosto do curé e dos tradicionais moradores, Vianne não frequenta a igreja, a ausência de um pai não afeta em nada a vida de Anouk e ela está abrindo uma chocolateria em pleno inicio de quaresma, uma época de sacrifícios e penitencias para os católicos paroquianos. Uma afronta aos bons costumes dos pacatos aldeões?
À medida que conhecemos Vianne fica mais claro que ela está neste lugar por algo que a impulsiona, assim como nos outros muitos lugares por onde passou. Aos poucos sua presença penetra na cidade, seus costumes, seus chocolates, sua tenacidade. Certa aura sutilmente sobrenatural paira a seu redor.
Sua presença abala alguns pilares da cidade, mexe com as cores, com os aromas. Ela traz consigo sentimentos intensos e sua presença parece atrair ainda mais ‘intrusos’ e acontecimentos exóticos para a já preocupada Lansquennet-sous-Tannes.
Chocolat foi escrito por Joanne Harris, tão multicultural quanto seus personagens. Filha de mãe francesa e pai inglês, vem de duas famílias com histórico de mulheres fortes, dadas às letras, à jardinagem e à culinária, além de uma paixão por contar histórias. Seu contato com mitos e folclore vem desde a infância. Sua escrita mostra suas influências, como os irmãos Grimm e a mitologia nórdica. Joanne salpica suas historias com pitadas de magia, de diferentes culturas, personagens femininos sedutores e cheios vida, além de uma relação deliciosamente envolvente com a dança, música, natureza e culinária. Fazendo de cada uma dessas atividades uma forma de prazer para os personagens e consequentemente, para o leitor.
Joanne estudou línguas modernas e medievais na Faculdade St. Catherine, em Cambridge e foi professora durante quinze anos. Outros títulos saborosos da autora são: Vinho Mágico (2000); Cinco quartos de laranja (2001); O aroma de especiarias (2012). Sendo sua obra muito além dos citados.
Um filme livremente interpretado do livro Chocolat foi lançado em 2000, com uma ótima recepção tanto pela crítica como pelo publico (Rotten Tomatoes). O filme foi dirigido pelo diretor sueco Lausse Hallstrom e tem como protagonistas Juliette Binoche e Johnny Depp.
