Conselho de Cultura estuda recuperar papel de goianos na criação de Brasília
Redação DM
Publicado em 24 de agosto de 2015 às 18:59 | Atualizado há 11 anosRecuperar o papel desempenhado pelos goianos na criação de Brasília, em termos de resgate da memória histórica. Esta é a proposta que o Conselho Estadual de Cultura do Estado de Goiás, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Casa Civil, recebeu do jornalista, escritor e historiador Jarbas da Silva Marques, presidente da Academia de Letras e Artes do Planalto, durante reunião realizada na última sexta-feira (21/08).
A visita do historiador, que também é 1º vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal e ex-diretor do Patrimônio Histórico de Brasília, aconteceu atendendo convite do conselheiro Fernando Cupertino, No encontro, o visitante provocou o Conselho a estudar a proposta de sua autoria que pretende despertar o universo cultural de Goiás para a relevância do protagonismo que o Estado teve no processo da mudança da Capital Federal do Rio de Janeiro para o Planalto Goiano, que na sua opinião é subvalorizado devido à chamada Síndrome do Rio Meia Ponte.
Sindrome
Citando outro expoente da cultura e do jornalismo goiano, Gelmires Reis, Jarbas Marques disse que Goiás precisa superar esta síndrome, que se coloca como um obstáculo incontornável à capacidade do pensamento histórico de Goiás de enxergar o que ocorre além dos contornos do Rio Meia Ponte. “Só assim romperemos com a apatia da historiografia regional diante do alheamento, sobretudo das universidades Federal e Católica de Goiás, quanto à criação de Brasília”, afirmou.
Para o presidente da Academia de Letras e Artes do Planalto, sediada em Luziânia, Região do Entorno de Brasília, a omissão do Estado sobre a participação dos goianos nesse episódio se impõe como uma falha imperdoável ao “justo e merecido reconhecimento destes verdadeiros heróis, que mais que mudar uma capital, foram também os responsáveis pela efetiva ocupação do território nacional e pela soberania do Brasil sobre suas fronteiras”.
Jarbas afirmou que “a mudança da Capital Federal do Rio de Janeiro para Goiás não só criou as condições ideais para que o Estado se integrasse plenamente em todos os níveis, como nos assegurou a plena posse das nossas divisas geográficas”. Sem isso, afirma, “a Amazônia já estaria internacionalizada há muito tempo, bem como o Pantanal Matogrossense”.
O historiador anexou à sua proposta uma farta documentação histórica, resultado de um trabalho de pesquisa de 35 anos, e com a qual fundamenta a sua iniciativa. O Conselho Estadual de Cultura é presidido pela conselheira Nancy Ribeiro de Araújo Silva e reúne representantes do setor cultural goiano nas áreas de literatura, música, artes, audiovisual e patrimônio.
O Conselho Estadual de Cultura do Estado de Goiás vai agora analisar toda a documentação e tomar as providências necessárias para viabilizar a aplicação da proposta.