Unidades de emergência do governo estão repletas de pacientes psiquiátricos (detalhe: sem psiquiatras)
Redação DM
Publicado em 13 de agosto de 2015 às 22:06 | Atualizado há 11 anosNesta foto em anexo vemos um quadro, atual, de pacientes graves internados numa unidade de emergência do Governo. Como pode-se ver, de 15 pacientes internados, 12 são psiquiátricos – a pancreatite listada aqui é alcoólica, segundo o colega que me enviou a foto. Detalhe: sem psiquiatras… e “aguardando vagas psiquiátricas” que já não existem mais, pois a política governamental acabou com elas (“problemas psiquiátricos devem ser atendidos em unidades gerais, não psiquiátricas”, “problemas psiquiátricos devem ser atendidos em “centros de atenção psicológica e social”). Como se vê na foto, são pacientes graves, suicidas, psicóticos, agitados. Pacientes que, dado seu quadro grave psiquiátrico acabam até perturbando muito o ambiente hospitalar (por exemplo, como é que um paciente infartado vai ter tranquilidade de estar ao lado de um maníaco altamente agitado, gritando, amarrado ao leito , berrando no ouvido dele noite e dia sem parar?). Mesmo para um psiquiatra experiente, mesmo para um hospital especializado (o nosso está aberto para quem quiser ir lá ver) tais problemas listados no quadro são dificílimos, imagine numa estrutura governamental lotada, sem médicos especialistas, com médicos desmotivados, recebendo pouco, recem-formados, cansados, doentes, “esperando a aposentadoria”, cheio de pacientes cardíacos, infartados, com derrame cerebral, etc… É o caos instalado. Esses dias houve uma discussão se deveriam fechar ou não o Pronto Socorro Psiquiátrico Municipal de Goiânia (Wassily Chuc). As correntes antimédicas, antipsiquiátricas, regozijaram-se de ver o decantado, alardeado, comemorado, “fim do Wassily”. Veio-se a público dizer que os centros psicológicos e sociais do Governo resolveriam o problema destas doenças, que as unidades de urgência do Governo (Upas, Cais, etc) resolveriam estes problemas. Aí está o retrato da realidade. Doença psiquiátrica, que é apenas uma variante da doença cerebral (é uma doença cerebral com repercussões sobre o comportamento), não se resolve com o blá-blá-blá e as mentiras que este Governo está acostumado a pregar – vide todos os engodos propalados nas últimas eleições, e agora desmentidos pelos fatos . Doença não se resolve por decreto, com nhe-nhe-nhem esquerdista ou estatizante. Resolve-se com estruturas adequadas e pessoas motivadas. Todas as doenças listadas neste quadro exigem os mais altos e profundos conhecimentos e habilidades médico-hospitalares por parte do técnico responsável. Mesmo nas mãos do médico e do hospital especializado, a mortalidade é altíssima; como tratar o problema com o amadorismo que tem caracterizado o aparelhamento esquerdista do Estado? Não basta que grupos estatizantes corporativistas venham a público, ou dominem o Governo Federal, dizendo que “doença mental não existe”, “psiquiatria não existe”, “que precisamos é de mais empregos em centros psicológicos-sociais”, “que temos de acabar com a indústria da doença”, com a “indústria da loucura”, com a “indústria capitalista dos hospitais”, etc. Nada disso cura doença mental, ou doença nenhuma. Nada disto mitiga o sofrimento da população. Pode até mitigar o problema dos governantes e dos mamadores do Governo, como vemos aí no enriquecimento do mensalão/petrolão, BNDES, etc, mas isto não é moral e o que não é moral não subsiste.
(Marcelo Caixeta, médico psiquiatra – artigos as terças, sextas, domingos)