Cotidiano

Medidas para brincar com segurança

Redação DM

Publicado em 12 de agosto de 2015 às 00:41 | Atualizado há 2 anos

Brincar é sinônimo diversão, explorar e aprender. Nada mais natural do que uma criança que mexe em tudo – afinal, explorar o ambiente à sua volta faz parte do seu desenvolvimento. Mas para que a distração seja repleta de aventuras e descobertas é preciso que pais e responsáveis fiquem de olho nos pequenos. Muitos dos acidentes na infância ocorrem dentro de casa e podem ser evitados com medidas simples de segurança.

Para o pai de Caio, de 4 anos,  o professor Allysson Fernandes Garcia, 39, a curiosidade natural e estimulada das crianças é positiva. No entanto, ele observa que a falta de senso ou noção de perigo os torna vulneráveis nesta idade. Ele alerta para a necessidade de ter sempre um adulto por perto. “Apesar dos alertas e ensinamentos o principal é a prevenção: que elas estejam sempre acompanhadas de um adulto. Desde cedo é preciso alertá-las sobre os perigos e cuidados”.

Ele recorda que recentemente passou por momentos de pânico após o filho acidentar-se dentro de casa. “Fui tomar banho, com a porta aberta, e o deixei na sala, assistindo desenho. De repente ouço grito e choro. Corro para sala e me deparo com o Caio com a boca ensanguentada. Pergunto o que aconteceu, ele me mostra o gancho/suporte de rede, que só poderia ser alcançado subindo no encosto do sofá. Imaginei que ele havia ficado pendurado. Foi desesperador”.

Apesar do susto, conta Allysson, Caio foi examinado e para seu alívio, nada grave aconteceu: apenas um corte superficial, por ter inserido o gancho na boca e mordido.

 

Quarteto

A professora Maria Selma de Oliveira Leonardo, 52 anos, é mãe de quatro filhos: Decio, 14 anos; Nephi, 13; Eve, 10 e Yoseph, 7 anos. Ela também tem muitas aventuras para contar da turma. Maria reconhece que, apesar de todos os cuidados, os filhos já foram vítimas de acidentes domésticos.

Certa vez, ela conta, Nephi, aos 4 anos, estava a correr pela casa quando tropeçou e bateu o queixo em uma arca. “Ele se cortou e tivemos que correr até ao pronto socorro e foi necessário dar alguns pontos”. Já Eve, aos 6 anos, lembra, “prendeu um dos dedos da mão esquerda na fechadura da porta do banheiro e precisou dar pontos”.

Yoseph também tem história para contar aos 5 anos: num intervalo de 6 meses Selma precisou ir ao pronto socorro três vezes  com filho. Das três vezes, dois acidentes ocorreram enquanto brincava com a irmã Eve. O terceiro acidente aconteceu enquanto ajudava o irmão mais velho a lavar o banheiro. “Ele escorregou e bateu o queixo no vaso do banheiro e, então foi necessários dar pontos”, descreve.

Selma menciona que os cuidados devem ser redobrados em relação a remédios, produtos de limpeza, objetos cortantes (facas, tesouras) e armas ( quem as tem em casa). “Na cozinha, muitas crianças gostam de ajudar e creio que podem desde que não estejam sozinhas. Digo isso porque todos os meus filhos sempre gostaram de ficar na cozinha quando estou a preparar as refeições”, expõe.

A empresária Anita Ribeiro Resende Borges Bosi, 35 anos, mãe de Luca, de 5 anos, e Pietro, de 2 anos, conta o momento difícil que passou após o filho engolir um ácido para limpar pedras. “Tivemos um acidente doméstico com o nosso caçula, o Pietro. De férias em casa de parentes ele fez a ingestão de ácido para limpar pedras, Pedrex. Foi de ambulância para o hospital onde ficou internado em observação”.

Pediatra alerta para escolha de brinquedos

 

Para a empresária Anita Ribeiro, a ordem é uma só: ficar de olho sempre! Deixar os produtos de limpeza trancados em lugares altos e de difícil acesso para as crianças. Deixar a cozinha trancada na hora de fazer a comida. O principal é “nunca deixá-los sozinhos, pois em um segundo eles se acidentam”.

A pediatra do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Sonia Liston, orienta que além de redobrar a atenção sobre os passos dos pequenos, os pais podem tomar algumas medidas preventivas para evitar acidentes. “Evitar brinquedos com botões, olhos ou enchimentos facilmente removíveis é uma das dicas”, diz.

Ela acrescenta que tais ações devem ser adotadas porque, dependendo da idade, os pequenos não conseguem avaliar os riscos que estão correndo. “Com isso, as pessoas próximas têm de tentar adotar táticas para diminuir a frequência e a gravidade dos acidentes.”

O Ministério da Saúde aponta que acidentes domésticos como afogamentos, quedas, queimaduras e intoxicações são as principais causas de morte de crianças no país. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás, em 2014 foram 399 ocorrências atendidas com acidentes domésticos envolvendo crianças de 0 a 11 anos no estado.

Só na cidade de Itumbiara, em 2014, foram registrados 12 casos e em 2015 existe o registro de quatro. Em todo o estado já foram notificadas 158 ocorrências este ano.

 

DICAS PARA EVITAR ACIDENTES

 

  • Evite cordões, roupas ou objetos em berço que possa provocar estrangulamento ou engasgos;
  • Supervisione as refeições de crianças pequenas;
  • Utilize o cinto de segurança dos carros nos acentos compatíveis para cada idade;
  • Verifique a segurança dos brinquedos e a indicação de idade nas embalagens dos mesmos;
  • Instale proteção nas escadas, janelas, sacadas e terraços;
  • Evite o acesso à cozinha e área e serviço, onde mais comumente ocorrem os acidentes com queimaduras e intoxicações;
  • Utilize calçados confortáveis e antiderrapantes;
  • Nunca deixe crianças sozinhas em piscinas, clubes, rios ou mar. Utilize equipamentos de segurança;
  • Não estimule o uso de medicamentos;
  • Mantenha as embalagens originais dos produtos e, em caso de acidentes com esses, leve a embalagem com a criança para o atendimento de emergência para facilitar a identificação de componentes.
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