Qualidade dos alimentos: internautas estão de olho
Redação DM
Publicado em 10 de agosto de 2015 às 22:31 | Atualizado há 11 anosFico boquiaberto com a evolução tecnológica dos últimos anos. De uns tempos para cá, a televisão do preto e branco saltou para o sistema em cores e na seqüência para a qualidade da tevê digital. Do telefone fixo, privilégio de poucos, para o celular e seus múltiplos aplicativos que permitem desde mensagens às chamadas de vídeo, hoje na mão de praticamente todos os brasileiros. O jornal impresso cede lugar rapidamente à mídia eletrônica. O mundo se comunica de forma instantânea em função das chamadas redes sociais e de outras ferramentas proporcionadas pelos satélites. E, com certeza, vêm mais novidades por aí. Entre as quais, a rastreabilidade da cadeia alimentar. Ela é a garantia da transparência aos consumidores, porque envolve desde a produção ao consumo.
Cobrindo o jornalismo agrícola (até nisso houve evolução, porque o agro se situa na cadeia do agronegócio ou se quiser sofisticar é denominação em inglês é agribusiness), há alguns anos, notei a preocupação das entidades líderes dos produtores rurais com a vacinação do rebanho. A Faeg via a necessidade da prática sanitária nos animais. O médico veterinário Doane Camargo perambulava por este Goiás afora num fusca, transportando vacinas gratuitas para os criadores. A entidade queria a vacinação do rebanho bovino contra a febre aftosa, a brucelose e outras zoonoses, doenças comuns no gado. Nem todos a aplicavam e, naturalmente, as doses em suas embalagens eram jogadas no mato ou enterradas para não deixar vestígio.
O apelo da tradicional entidade classista rural deixava de ser ouvido por muitos. Bastou o rápido processo de globalização com a sua revolucionária comunicação para os produtores mudarem rapidamente de idéia. Um minúsculo foco de aftosa nos confins da Amazônia, onde inexiste uma pecuária intensiva, arruína todo um mercado exportador brasileiro, conquistado a duras penas. A doença da vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina ou BSE a sigla em inglês) ocasionou problemas ao agronegócio. Causa polêmica, ainda, a discussão sobre os efeitos dos alimentos geneticamente modificados, resíduos químicos, pesticidas e hormônios.
Mas, uma notícia assim com repercussão negativa faz com que o pecuarista entenda que o estado sanitário de seu rebanho não dê margem à dúvida. Como os tempos mudam. Hoje, o produtor é quem procura as vacinas para imunizar o gado contra as zoonoses. Goiás, com isso, não registra um foco de aftosa nos últimos 20 anos e com esse propósito contribui com doações a quem não pode comprar vacinas, como os Kalunga em sua comunidade na região nordeste.
Noutros tempos, ao transportar o leite in natura da fazenda para a usina de laticínios, a pessoa passava na bica e adicionava água nos latões. A ideia era a de que essa prática rendia mais uns trocados. Nas exportações de café, pedrinhas eram adicionadas às sacas. O brasileiro perdia negócios e, o pior, a confiabilidade. O Brasil ficava com a imagem manchada. O mercado competitivo funcionou. Caso contrário, o importador preferiria outro país que não o Brasil.
No recente Fórum Abag Estadão – Alimentos, em São Paulo, as palestras versaram sobre a importância da cadeia do agronegócio estar atenta ao consumidor, cada vez mais interessado em conhecer a procedência dos alimentos. Esse público quer informações do plantio, condições de manejo, processamento, armazenamento, embalagem, entre outros fatores. Houve uma mudança no comportamento do consumidor. Na verdade, a tecnologia aportou no campo também. Essa nova ferramenta contribui para uma transformação na forma da produção, proporcionando maior agilidade em todas as operações de uma lavoura.
O consumidor, por sua vez, também dispõe de uma tecnologia que melhora a sua experiência, contribui para uma transformação na maneira de comprar o alimento. Nos supermercados, o consumidor tira fotos dos QR codes (sigla em inglês de Quich Response) para obter informações sobre a origem do produto. Em algumas peças de carnes ainda é possível conhecer informações sobre o abatedouro, a criação, a raça do animal, entre outros aspectos. Pelo que se percebe, a rastreabilidade torna-se ponto importante parda as empresas do segmento. As redes sociais encontram-se atentas e a cadeia do agronegócio precisa estar atenta aos crescentes apelos de qualidade do produto em oferta, aliada aos preços, conservação ambiental, bem-estar animal, equidade social e a saúde da população, atualmente uma exigência dos consumidores.
Como anda a manipulação dos alimentos nos bares, lanchonetes, restaurantes, inclusive os fast food? O alimento precisa estar em perfeitas condições, caso contrário podem causar danos e até a morte de quem os consome. Nesse caso, a fiscalização cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Sobre a questão dos alimentos in natura a competência comporta às instituições sanitárias brasileiras. Em Goiás, a Agrodefesa responde por este segmento. E vai bem.
(Wandell Seixas, jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-Goiás, ex-bolsista em cooperativismo agropecuário pela Histradut, em Tel Aviv, Israel, autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste e assessor de imprensa da Emater)