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Biomimética: a arquitetura e o design inspirados na natureza

Redação DM

Publicado em 6 de agosto de 2015 às 22:15 | Atualizado há 11 anos

Segundo a EcoDesenvolvimento.org , a Biomimética é composta de Bios (Vida) + Mimesis (imitação), esta junção deu origem a esta palavra. Biomimética é uma área da ciência que procura aprender com a natureza. A natureza é mestre em soluções, ela se adapta  e sobrevive a  agressividade da ação humana sobre a terra. Ela tece seus caminhos por ciclos que se conectam.

Janine M. Benyus, escritora científica, defende em seu livro Biomimética: Inovação Inspirada pela Natureza, que esta busca vem contra a tendência moderna de dominar ou melhorar a natureza, e se mostra como uma verdadeira revolução na interação Homem x Meio ambiente.

Segundo Dennis Dollens, arquiteto norte americano  um  dos mais importantes arquitetos na área de arquitetura biomimética: “A biomimética não consiste em propor formas de aproximação orgânica à arquitetura, ou de reinterpretar poeticamente a natureza: não se trata de desenvolver metáforas arquitetônicas da natureza. Não penso que os edifícios tenham que se assemelhar a plantas ou organismos biológicos mas sim acredito que podem funcionar como eles: podem mover-se, transferir ar e umidade, filtrar poluição, reorientar suas peles, modificar o calor e o frio, alertar aos ocupantes de mudar as condições sociais e meio-ambienta… etc.”

A arquitetura biomimética é uma corrente contemporânea que busca soluções sustentáveis na natureza, sem simplesmente replicar suas formas, mas através da compreensão das normas que a regem. Este enfoque multidisciplinar busca seguir uma série de princípios ao invés de se concentrar em códigos estilísticos.

Estes mecanismos naturais parecem funcionar melhor que algumas das tecnologias mais avançadas da atualidade, necessitam de menos energia e não produzem resíduos nem deixam marcas. Muitas dessas obras arquitetônicas, que à primeira vista parecem apenas estéticas, revelam em certos casos uma ordem subjacente que de alguma forma melhoram a eficiência do edifício, não apenas em termos energéticos, mas também construtivamente, funcionalmente e quanto aos materiais empregados.

Podemos encontrar exemplos atuais em projetos inspirados em carapaças de insetos, microrganismos celulares ou estruturas orgânicas – permitem ajustar os componentes estruturais para se abrir ou se fechar segundo a orientação solar, as condições climáticas ou o programa interno. Muitos destes projetos podem funcionar de forma reativa ao meio ambiente, ajustando-se às diferentes condições.

Aqui no Brasil temos como exemplo o trabalho de Marko Brajovic, um arquiteto croata que estudou em Veneza e Barcelona e mora aqui, tendo feito pesquisas na Amazônia. Ele desenvolve um trabalho bem fascinante em bambu, um material bastante versátil e de baixo impacto ambiental.

Outro arquiteto renomado o espanhol  Santiago Calatrava impulsionou um avanço na engenharia da construção: estruturas em espiral que se comportam muito bem frente aos esforços do vento. Muitos anos antes, Frank Lloyd Wright havia desenvolvido a ideia de uma raiz de árvore para projetos de edifícios altos, erguidos sobre um imponente apoio central, com os pavimentos em balanço como os galhos de uma árvore. Outro exemplo é o sistema de resfriamento passivo em Eastgate Center de Mick Pearce no Zimbábue, que imita a forma dos cupinzeiros africanos para manter constante a temperatura interna, apesar das grandes variações de temperatura da região. O centro utiliza o ar frio da noite para resfriar a massa do edifício, e durante o dia este ar sobe do térreo em direção aos pavimentos superiores através de chaminés.

Todas estas abordagens trouxerem qualidades não só à arquitetura; mas também ao design de diversos tipos de utensílios e equipamentos, a natureza está aí esperando que suas lições tenham uma boa aplicação. Os avanços já são notados em nosso dia a dia ha bastante tempo, de maneiras mais singelas ou nas grandes evoluções sustentáveis. Para o cientista Stephen Wainwright, a biomimética se torna “a mais desafiadora e importante revolução biológica do Século 21”. Veja algumas criações que usaram o princípio da biomimética:

Adesivos não-tóxicos: inspirados nas substâncias desenvolvidas por salamandras.

Velcro: percebido pelo seu criador durante uma caminha, o velcro veio do estudo de pequenos vegetais de espinhos que ficaram grudados na calça durante o passeio.

Construções ecoeficientes: inspiradas nas casas de insetos como cupins, conseguem atingir uma eficiência energética maior em comparação as comuns.

Tintas que facilitam a limpeza: a planta Lotus é conhecida por possuir mecanismos próprios de limpeza e inspirou a criação de tintas, ceras de aplicar em vidros e revestimentos de carros.

Com a ação agressiva do desenvolvimento humano em relação à natureza, a biomimética ganhou força como uma efetiva mudança na vida moderna. Fiquem atentos a esta revolução que se apresenta ao mundo tecnológico.

 

(Garibaldi Rizzo, arquiteto e urbanista, presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Goiás, conselheiro Titular do CAU-GO)

 

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