A arte da passagem de ritual
Redação DM
Publicado em 4 de agosto de 2015 às 00:33 | Atualizado há 11 anosAté o dia 4 de setembro, a Secretaria Municipal de Cultura (Secult) irá receber a exposição I’Uptabinã, com telas do artista plástico Gustavo Muriá. A mostra – cuja abertura aconteceu ontem – está acomodada na Sala Sílvio Bragatto, e nela, o pintor retrata imagens do chamado “Danhõnõ”, um importante ritual da cultura xavante, que marca a passagem da infância para a fase adulta.
Em técnica primitivista, ele se expressa em cores fortes e marcantes, além de cenários oníricos das várias passagens do ritual que pode durar até cinco anos, sendo que a parte final consiste em uma série de danças, competições e performances. “É um rito deslumbrante em sonhos, magia e espiritualidade”, diz Muriá
Todo este trabalho se baseia na própria experiência do artista plástico, que conviveu – em 2011 – com o povo A’uwe Uptábi, habitante da região da bacia do Rio das Mortes, na aldeia Santa Maria, município de Barra do Garças (MT). Muriá esteve no local a convite da família Örebewê, uma das mais tradicionais entre os Xavante, para acompanhar o Danhõnõ.
Logo, percebeu que mesmo com a aproximação com a “cultura branca”, esse povo mantém características culturais de resistência, organização social, costumes e rituais peculiares.
O Artista
Gustavo Muriá é argentino, mas mora no Brasil há 30 anos. Artesão e artista plástico, foi atraído à cultura indígena por influência de seu filho, que se tornou servidor da Funai no município de Barra do Garças (MT). Atualmente, ele reside em Aragarças (GO), município vizinho, e trabalha vendendo suas peças de artesanato individualmente.
Saiba Mais
O nome da mostra, I’Uptabinã, na língua xavante, significa “estou sendo sincero” ou “o que digo é verdade”, algo de valor supremo na cultura desse povo, cuja população já chegou a cerca de cinco milhões no Brasil. Atualmente, dados estatísticos estimam que os Xavante não possuem mais do que 13 mil índios em suas diversas aldeias pelo país.
Um detalhe alarmante é que em torno de 80% dessa população sofre de problemas de diabetes e sobrepeso, resultado da convivência com a população branca e a ingestão de alimentos industrializados. Esses problemas de saúde têm causado mortes precoces em especial na população jovem das aldeias.
Exposição ‘Uptabinã -cultura xavante
Quando: Até o dia 2 de setembro –
Onde: Sala Sílvio Bragatto – Secult Goiânia (Rua 84, nº 535, Setor Sul)
Informações:
(62) 3524-1776