MP da Suíça abre inquérito contra Odebrecht por pagar propina
Redação DM
Publicado em 22 de julho de 2015 às 23:53 | Atualizado há 11 anos
O Ministério Público da Suíça afirmou ontem que encontrou indícios de que a Odebrecht usou contas bancárias no país para pagar propina a ex-diretores da Petrobras. “Empresas do grupo da Odebrecht são suspeitas de usar contas na Suíça para fazer pagamentos de propina para ex-diretores da Petrobras que também mantêm contas em bancos suíços”, informou a procuradoria, após ser questionada sobre o assunto.
O órgão disse que abriu “numerosas investigações” sobre a Petrobras. “A Procuradoria confirma que uma de suas investigações é relacionada à Construtora Norberto Odebrecht, assim como empresas associadas e pessoas, e que essas conexões têm sido enviadas para o Brasil por meio de pedido de cooperação mútua”.
O procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, tem colaborado com as investigações conduzidas pelos procuradores da Operação Lava Jato. Pelo menos US$ 400 milhões já foram bloqueados na Suíça desde o início das investigações.
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que passou a colaborar com as autoridades no ano passado, disse ter recebido mais de US$ 20 milhões em propina da Odebrecht na Suíça.
O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que também fez acordo para colaborar com as investigações, disse ter recebido US$ 97 milhões de fornecedores da Petrobras, entre eles a Odebrecht.
Barusco e Costa dizem que os pagamentos foram feitos por uma empresa registrada no Panamá, a Constructora Internacional Del Sur, e com a ajuda de um economista brasileiro que vive em Genebra, Bernardo Freiburghaus.
A Odebrecht diz que nunca pagou propina para facilitar seus negócios na Petrobras e afirma não ter relação com a empresa no Panamá e Freiburghaus.
Prisão
A Polícia Federal solicitou à Justiça que os executivos das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez, presos há quase um mês na superintendência da PF em Curitiba, sejam transferidos para um presídio comum. O pedido foi protocolado ao juiz Sergio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava Jato,.
Segundo o delegado Igor Romário de Paula, que assina a petição, uma vez que todos os presos já foram ouvidos, não há mais motivos para que eles permaneçam na PF. “A manutenção destes [presos] nas celas dificulta a operacionalização das autuações em flagrante e fragiliza a segurança do local”, escreveu Paula. “Nossas instalações se destinam a presos transitórios, via de regra.”
São listados no pedido oito presos. Da Odebrecht, o pedido envolve o presidente Marcelo Odebrecht, os diretores César Ramos Rocha, Márcio Faria e Rogério Araújo e os ex-diretores Alexandrino Alencar e João Antônio Bernardi Filho. Da Andrade, o presidente, Otávio Marques de Azevedo e o diretor Elton Negrão de Azevedo Júnior.
Caso a proposta seja aceita pela Justiça, os executivos devem seguir para o Complexo Médico Penal, na região metropolitana de Curitiba, onde já estão sendo mantidos os outros presos da Operação Lava Jato, numa ala separada dos demais detentos. Todos afirmam ser inocentes. Eles estão detidos preventivamente desde o dia 19 de junho.