Marconi se torna principal defensor de Dilma em Goiás
Redação DM
Publicado em 20 de julho de 2015 às 23:47 | Atualizado há 11 anosDiante da paralisia do PMDB e do próprio PT, o governador Marconi Perillo (PSDB) se tornou o maior defensor do governo da presidente Dilma Rousseff em Goiás. Não é de hoje que o tucano faz manifestações públicas a favor da petista e reforça o direito da governabilidade, indo na contramão de colegas de partido, como o senador Aécio Neves.
A crise política enfrentada por Dilma e os ataques do senador Ronaldo Caiado (DEM) contra a presidente e Lula não sensibilizaram os aliados goianos. O PT goiano pouco se manifesta e Caiado já chamou Lula até de “bandido frouxo” sem que houvesse reação local. Os deputados e dirigentes peemedebistas também assistem calados ao massacre sofrido pela presidente.
“Sou de um partido que faz oposição à senhora, mas eu, não. Ninguém nunca me ouviu, aqui em Goiás, dizer uma só palavra minha que não fosse de respeito e reconhecimento ao trabalho que vossa excelência fez pelo estado de Goiás”, disse em março, quando Dilma participou de solenidade em Goiânia.
“O Brasil, presidente, não pode ser vítima da intolerância, do desrespeito, de minorias que não querem uma democracia onde o republicanismo possa prevalecer”, continuou o governador, quatro dias depois de manifestações que pediram o impeachment de Dilma e a volta do regime militar no Brasil. “Eu já tive a coragem de defendê-la dentro do meu partido, porque a respeito, sou grato pelo que a senhora fez e fará pelo nosso estado. Quero agradecê-la pela presença, por este investimento muito importante”, acrescentou o governador tucano.
Marconi Perillo disse ter boas relações com prefeitos petistas de seu estado. “As relações entre o meu governo e o prefeito Paulo Garcia (Goiânia) são respeitosas e republicanas. Com o prefeito de Anápolis, João Gomes, que é do PT, são republicanas. E assim com todos os prefeitos de boa vontade que me procuram”, exemplificou. Ele lembrou em seguida ser “de outro partido que às vezes tem mais oposição à senhora”, mas que “sempre agradeceu” a ela. “O respeito deve prevalecer, o ambiente democrático”.
Recentemente, em São Paulo, Marconi afirmou que atos de oposição caberiam ao partido e não aos governadores tucanos, rechaçando mais uma vez o viés golpista.
Um dos deputado peemedebistas na Câmara Federal, Daniel Vilela mostrou-se alheio à crise política entre Eduardo Cunha e Dilma. “Uma ala quer mesmo romper com o PT. Outra parte do PMDB, porém, defende a permanência na base governista. Acho que é muito cedo para dar qualquer coisa como certa. Tudo deve ser debatido internamente de forma democrática”, disse o peemedebista.
Iris Rezende
No auge da campanha ao governo estadual, em 2014, o cacique peemedebista Iris Rezende chegou a ofender a presidente ao dizer que ela “enchia Marconi de dinheiro”; numa referência aos recursos federais destinados ao Estado. PMDB e PT goianos nunca engoliram bem a relação republicana que o Marconi mantém com Dilma Rousseff.