Caiado já incomoda o PMDB goiano
Redação DM
Publicado em 20 de julho de 2015 às 23:47 | Atualizado há 1 anoO PMDB é um partido de centro, portanto, com tradição para o diálogo à esquerda e à direita. E é assim desde que era MDB e abrigava, no seu meio, elementos egressos do PCB e PCdoB – partidos proibidos pela ditadura. Comunistas e socialistas se reuniam no PMDB sob o nome de Ala Progressista. Por este agrupamento, Aldo Arantes foi eleito deputado federal em 1982. Ainda nesta fase de reabertura política, o PMDB negociou a adesão de políticos que outrora deram sustentação ao regime dos quartéis, abrindo espaço para vinda de Irapuan Costa Júnior, que governou Goiás entre 1975 a 1978. Esta capacidade de diálogo com todos os segmentos da sociedade é que fizeram do PMDB o maior partido do país nas décadas de 1980 e 1990 e continua a mantê-lo entre as principais legendas políticas da República.
Dito isto, fica fácil entender um movimento que começa a tomar conta do PMDB: o repúdio à verborragia do senador Ronaldo Caiado (DEM). Os ataques constantes de Caiado contra o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), e até mesmo à presidente Dilma Rousseff (PT) e ao ex-presidente Lula estão incomodando vários dirigentes do partido.
O primeiro grito de basta foi dado pelo deputado estadual José Nelto. Em entrevista ao Jornal Opção On-line, o peemedebista deu recado para o senador. “Caiado não manda no PMDB. Ele é um aliado. Não é ele quem vai definir pelo PMDB, somos nós que definimos. Ninguém vai dizer o que o PMDB deve fazer”. O basta é alusivo às sucessivas críticas de Caiado à administração de Paulo Garcia, inviabilizando uma aliança com o PT no próximo ano. José Nelto, que já foi secretário de Garcia, diz que a aliança com o PT será avaliada na hora certa e pode, sim, ser mantida.
Pessoas próximas ao ex-prefeito Iris Rezende também estão insatisfeitas com o estilo invasivo do senador, imiscuindo-se em assuntos internos do PMDB. “A tradição do PMDB é de varrer pra dentro, e Caiado só cisca pra fora”, alfineta um irista, que avalia que o senador tira votos do PMDB com seu discurso desagregador.
Outra crítica entre os iristas é que Ronaldo Caiado se ocupa demais com assuntos nacionais e de menos com a agenda estadual. “O senador Ronaldo Caiado tem uma agenda muito curta em Goiás. Viaja para o interior a cada quinze dias. Para quem tem a pretensão de ser candidato a governador este é um tempo muito pequeno para dedicar as suas bases”, avalia o dirigente.
Há quem veja no PMDB uma preocupação muito grande de Caiado com sua presença na mídia. Esta supervalorização pelo espaço midiático seria, inconscientemente, uma necessidade do senador de superar outro pop star do DEM, o ex-senador Demóstenes Torres. “Parece que Caiado está competindo contra Demóstenes e não contra Marconi. Acontece que Demóstenes tinha um discurso mais elaborado. Não era só xingamento e soube cativar os jornalistas, em Brasília. Acho que se Caiado ocupasse mais seu tempo viajando por Goiás e fazendo críticas aos desmandos do governo do Estado aproveitaria melhor seu mandato”, opina um irista.
Moderação
A superexposição de Caiado, que já irrita peemedebistas, contrasta com o perfil moderado e conciliador do prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. À frente de uma administração muito bem avaliada pela população, Maguito Vilela é o nome mais lembrado pelos peemedebistas como opção do partido para a disputa do governo do Estado em 2018. Maguito é bem relacionado com o PT de Dilma e Lula, com amplo trânsito em Brasília com as principais lideranças do Congresso Nacional e também em todas esferas do governo federal.
Desde os tempos de governador e senador, Maguito Vilela fez por opção não cultivar arestas. No episódio recente envolvendo o empresário Júnior Friboi, fez de tudo para apaziguar ânimos e encontrar uma solução negociada.
A boa relação administrativa com o governador Marconi Perillo (PSDB), antes vista com críticas, hoje é tratada em vários círculos do PMDB como sinal de maturidade. “Marconi não tem sucessor natural no seu governo, e nada impede que elementos do marconismo possam vir a apoiar uma virtual candidatura de Maguito, rachando a base situacionista”, prevê um maguitista.
Pós-marconismo
De fato, as condições para sucessão de Marconi Perillo (PSDB) serão adversas. Em que pese a capacidade política do governador, 20 anos ininterrupto de mando desgastaram a máquina política comandada pelo PSDB.
O vice-governador José Eliton não une nem o seu próprio partido, o PP, quiçá o PTB de Jovair Arantes ou o PSD de Vilmar Rocha e Thiago Peixoto. Ah, diriam uns, “mas Alcides Rodrigues foi vice e virou governador”. Ocorre que Alcides era presidente do PP, tinha apoio da base e da cúpula do partido para sua postulação e conseguiu compor chapa com outra liderança expressiva, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Ademir Menezes (PR), que topou ser vice. Quem vai querer compor com Zé Éliton, que nunca foi prefeito, deputado, sequer vereador? Roberto Balestra, com sete mandatos de deputado federal? Pouco provável.
Enquanto Caiado desagrega, afastando aliados no PMDB e na base governista, muitos olhos peemedebistas e de outros partidos se voltam a sobriedade de Maguito Vilela e a maturidade adquirida com as passagens pelo governo do Estado (1995-1998), Senado (1999-2006), vice-presidência do Banco do Brasil e Prefeitura de Aparecida.
Caiado, quanto mais fala, mais votos perde e menos candidato é. Maguito fala pouco e, quando fala, chama mais a atenção do que todo xingatório de Caiado. Em política, a palavra é a moeda de troca e o silêncio vale ouro. E neste momento, em especial, onde Caiado prega abertamente o golpe (inclusive ao vice-presidente da República Michel Temer, que é do PMDB!) e Maguito se coloca defensor da democracia, a tradição peemedebista, de partido que combateu a ditadura e o arbítrio deve falar mais alto em 2016 e, também, em 2018.
