Delator diz que pagou propina a Eduardo Cunha
Redação DM
Publicado em 17 de julho de 2015 às 00:19 | Atualizado há 11 anosO empresário da Toyo Setal e delator da Operação Lava Jato, Júlio Camargo, disse ao juiz Sergio Moro, ontem, que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pediu propina de US$ 5 milhões em um contrato de navios-sonda da Petrobras.
No depoimento, prestado em Curitiba, Camargo disse que o pedido de propina teria ocorrido pessoalmente, em uma reunião no Rio.
É a primeira vez que Camargo, cujo acordo de delação premiada foi homologado em dezembro do ano passado, cita Eduardo Cunha como destinatário da propina.
O nome de Eduardo Cunha surgiu quando o delator respondia ao juiz Sergio Moro se vinha sendo pressionado a pagar propina por Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB em contratos com a Petrobras.
Camargo contou que procurou Baiano para intermediar um encontro com Eduardo Cunha por causa de requerimentos apresentados na Câmara dos Deputados contra ele, Camargo, e contra a empresa Mitsui.
Pelo relato de Camargo, Cunha teria dito que havia um débito “entre você e o Fernando Baiano”, quando então pediu US$ 5 milhões, relativos a um contrato de navios-sonda com a Petrobras.
“Tivemos um encontro o deputado Eduardo Cunha, Fernando Soares e eu. Eu fui bastante apreensivo. O deputado Eduardo Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva, mas confesso que comigo foi extremamente amistoso dizendo que ele não tinha nada pessoal contra mim, mas que havia um débito meu com o Fernando do qual ele era merecedor de US$ 5 milhões”, relatou Camargo.
“E que isso (o débito com o operador da propina) estava atrapalhando, porque estava em véspera de campanha, se não me engano era uma campanha municipal, e que ele tinha uma série de compromissos e que eu vinha alongando esse pagamento há bastante tempo e que ele não tinha mais condição de aguardar”, continuou.
O delator quando foi subitamente interrompido pelo juiz Sergio Moro, dizendo que o tema já era objeto de investigação na Procuradoria-Geral da República e que não deviam detalhar o assunto para não prejudicar a apuração em curso em Brasília.
Julio Camargo então contou que procurou o doleiro Alberto Youssef para tentar contornar o problema criado com o deputado peemedebista.
“O Youssef era sempre uma pessoa presente nas minhas operações. Mas foi nesse caso foi ai que o chamei no caso das sondas porque até então o Fernando Soares indicava as contas nas quais eu devia fazer os depósitos e eu fazia esses depósitos a pedido dele”, disse.
“Quando veio essa emergência, chamei Alberto, uma pessoa com quem eu tinha um relacionamento de dia a dia e confiança, e senão me engano, até pedi o Alberto se ele conhecia o deputado Eduardo Cunha e eu que estava com problema com o deputado Eduardo Cunha”, relatou. A “emergência”, segundo o delator, era que o pagamento Eduardo Cunha não aceitou que se pagasse apenas a parte dele.